terça, 16 de julho de 2019
Violência
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Cidades violentam idosos e são 117 inquéritos só em JP

Ana Daniela Aragão / 15 de junho de 2016
Foto: Rafael Passos
Hoje é o dia Mundial de Enfrentamento a Violência contra a Pessoa Idosa. Porém, eles ainda sofrem diversos tipos de agressões. De janeiro a maio deste ano, 117 inquéritos policiais já foram instaurados na Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso, em João Pessoa. Segundo o psicólogo Fabrício Oliveira, os casos de violência mais praticados são aqueles que envolvem o dinheiro do idoso. A delegada Vera Lúcia Soares, da delegacia especializada, destacou o estelionato como o crime mais cometido contra o ancião.

Os idosos são mais vulneráveis à violência, segundo o psicólogo Fabrício Oliveira. E esta vulnerabilidade começa em casa. “Eles são facilmente enganados. Mas é por causa da solidão. Nós os conhecemos como experientes, que já viram de tudo durante a vida, mas eles precisam se sentir importantes. Quando a família começa a descartá-los, deixá-los de lado, maior a chance de eles confiarem em qualquer pessoa. Muitos são carentes”, disse.

Fabrício faz o atendimento psicológico na casa do paciente. Os próprios idosos o contratam. “Já atendi casos onde o idoso não tem nenhum problema psicológico. Com tanta experiência, eles só querem alguém para compartilhá-la. Mas a própria família não faz companhia. Em um dos casos que atendi, um senhor viu três gerações de sua família viajar para a Disney com seu dinheiro, mas ninguém o chamava para ir junto. Ele ficou muito triste. Mas depois de seis meses de tratamento, ele chegou pra mim, com uma passagem em mãos e disse: Comprei pra mim. Vou para a Disney sozinho”, declarou.

O psicólogo afirmou que os idosos precisam ter credibilidade em casa. “Eles são a raiz daquela família. Vê-la virando as costas é depressivo pra eles. Então, as pessoas podem pensar: ele não se ofereceu para viajar, para conversar. Mas as coisas não são assim. Quem vive com idosos tem que ter um olhar diferente. Perceber as coisas”, explicou.

Família. Ser ameaçado e agredido por não dar o dinheiro da aposentadoria a um neto ou a um filho. Esta situação é constante, segundo o psicólogo. “Já atendi um senhor que me disse que já estava indo para a compra da quarta moto para o neto. E que quando não queria dar mais dinheiro para ele, era agredido. Outro pediu que o banco cortasse o benefício dele para que não fosse mais agredido”, informou. De acordo com Fabrício, 90% dos casos de violência são cometidas para sugar alguma quantia do idoso. “São netos e filhos que querem ostentar, sair com os amigos e fazem isso às custas do ancião. Os idosos abrem contas em diversos bancos só para fazer empréstimos”, contou.

Quando se depara com casos como estes, Fabrício passa para o Conselho Municipal do Idoso. “Mas os idosos estão denunciando mais. Estão mais corajosos. Hoje, eles contam com mais políticas públicas. O conselho do idoso de João Pessoa é referência no país. É o mais ativo segundo a Conferência Nacional do Idoso, em Brasília. Os gestores públicos devem ter um olhar diferente para que as pessoas comecem a respeitar os idosos”, disse.

 

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