quarta, 17 de julho de 2019
Violência
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Cemitérios de JP e Campina são alvos dos bandidos

Bárbara Wanderley e Wênia Bandeira / 24 de outubro de 2017
Foto: ASSUERO LIMA
A onda de violência atinge até os mortos. Em cemitérios de João Pessoa e Campina Grande, casos de roubos de objetos e partes de túmulos são constantes. Há relatos inclusive de assaltos dentro dos locais.

Com a proximidade do Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro próximo, funcionários da Prefeitura de João Pessoa, zeladores de túmulos e famílias que têm parentes enterrados na Capital trabalham na limpeza e organização dos cemitérios. No resto do ano, entretanto, os locais ficam abandonados.

No cemitério Senhor da Boa Sentença, na Ilha do Bispo, diversos zeladores se queixaram dos roubos. Placas de mármore e peças de bronze, como molduras, letreiros, alças, crucifixos e imagens de santos são os objetos mais roubados, segundo os trabalhadores do cemitério. Em uma das sepulturas, a tampa de mármore foi roubada e o caixão ficou exposto. “Isso é uma pessoa que está aí dentro, podia ser meu pai, minha mãe, meu irmão. Deviam fechar isso, nem que fosse com barro”, afirmou uma zeladora que preferiu não se identificar.

Embora alguns falem que são usuários de drogas que entram no cemitério para praticar os roubos, muitos trabalhadores acreditam que são os próprios “construtores” de sepulturas que pegam grande parte do material, tirando de um túmulo para usar em outro. Uma funcionária também denunciou que há muitas louças quebradas no local, pela ação de vândalos. “Eles chutam e quebram por ruindade”, disse.

O diretor da Divisão de Cemitérios da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb) de João Pessoa, Williams Viana, afirmou que a secretaria está estudando a possibilidade de adotar um sistema de segurança eletrônica nos cemitérios, a partir de câmeras de vigilância. Segundo ele, está sendo realizada uma pesquisa de preço e o Cemitério Santa Catarina deve ser o primeiro local de testes do sistema. Williams explicou, no entanto, que ainda não há nenhum prazo para que o projeto seja posto em prática, já que sua viabilidade ainda está sendo estudada.

Sem reclamações. “Nem mesmo os mortos estão livres de serem roubados. A coisa está muito difícil ultimamente, ninguém respeita ninguém mais nesse mundo”. A declaração é de uma professora que tem sua mãe e seu irmão enterrados no cemitério Nossa Senhora do Carmo, no Monte Santo, em Campina Grande, e que, por medo, não quis ser identificada. A gerência dos cemitérios públicos disse que não tem reclamações neste sentido nas administrações dos locais.

“Já cheguei aqui e encontrei a foto quebrada, sem o bronze que rodeava. Já encontrei o túmulo sem a imagem dos santos que a gente deixou. Eles estão levando de tudo”, falou a professora. Ela afirmou que não frequenta o lugar sozinha para não ter problemas com a violência. Ela ainda salientou que escolhe o horário para visitar o túmulo da família de acordo com a maior movimentação.

“Nós estamos sempre de manhã aqui porque de tarde não tem muita gente, então é mais perigoso. Tem muito bandido circulando aqui, eu não tenho coragem de ficar sem companhia, e nem ficar por muito tempo por aqui”, comentou.

A insegurança não é de conhecimento do gerente de cemitérios de Campina Grande, Fernando dos Santos. Ele afirmou que procurou saber das pessoas responsáveis pelos locais. Segundo ele, todos os cemitérios da cidade têm quatro seguranças.

“Eu perguntei se estava tendo este tipo de vandalismo e os administradores não passaram estas informações. Eles disseram que está tudo dentro da normalidade e ninguém procurou a administração para reclamar”, falou.

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