sábado, 27 de fevereiro de 2021

Violência
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Bairro de Bodocongó é um dos mais violentos de Campina Grande e moradores se apavoram

Wênia Bandeira / 17 de maio de 2017
Foto: Chico Martins
Conversar ou mesmo atender clientes se for por trás dos portões. O medo dos moradores de Campina Grande é comprovado pelas estatísticas e, segundo a polícia, os bairros Bodocongó e José Pinheiro são considerados os mais perigosos da cidade.

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De acordo com dados do Núcleo de Análise Criminal e Estatística da Secretaria de Segurança, Bodocongó registrou seis mortes violentas desde janeiro. O primeiro lugar deste ranking é dividido com José Pinheiro, que teve o mesmo número de homicídios, seguido por Pedregal, com quatro assassinatos.

O comerciante Janduí Soares, 63 anos, tem a mercearia há dois anos, sempre atendendo os clientes com o portão fechado. “Hoje, a gente tem que estar trancado. É os bandidos livres, atacando, e a gente assim”, contou o morador de Bodocongó, onde aconteceram mais homicídios desde o início do ano.

Ele ainda salientou que quando viaja, contrata alguém para ficar em sua casa, com mmedo de assaltos e furtos. Ele explicou que a pessoa dorme no local porque é preciso sempre acender a luz para que nenhum bandido se aproxime ou tente roubar a residência.

A dona de casa Lucelita Alves, 42 anos, já viu a filha ir morar em outro bairro para fugir da criminalidade do lugar. “Ela cansou de ser assaltada e foi morar no bairro da Prata por um ano. Acabou voltando para cá por outros motivos. Mas eu fico com o coração na mão quando ela chega de carro”, desabafou. Ela conversou conosco atrás do portão, que disse ficar fechado 24 horas por dia.

Nos bairros de Campina também são comuns os roubos, que são praticados principalmente por usuários de drogas, segundo habitantes dos locais.

Furtos nas casas. Os portões fechados não foram empecilho para os bandidos no bairro Santo Antônio. A violência encontrou novas formas de ação e os moradores relataram que, desde o início do ano, muitas casas estão tendo até mesmo os portões e janelas furtados. A Polícia Civil não tomou conhecimento dos casos, mas já declarou que providências serão tomadas para reforçar a segurança. Os entrevistados tiveram os nomes mantidos em sigilo a seus pedidos para resguardar por medo da violência praticada principalmente por usuários de drogas.

A diarista de uma das casas da Rua Arruda Câmara disse que era madrugada quando invadiram uma das residências, que está sem morador, e levaram os dois portões da frente. Os proprietários da casa muraram as duas entradas após o fato.

“Eles devem ter ficado sabendo que não tinha ninguém lá dentro e aproveitaram. Isso é para trocar por droga, com certeza, é o que se comenta por aqui”, afirmou. Ela falou que não se sente segura trabalhando no bairro e que os assaltos são corriqueiros.

O advogado que mora na Rua Salvino Oliveira Neto relembrou alguns casos de roubos e furtos e relatou como os vizinhos fazem para se livrar dos bandidos. “Nós soltamos fogos. Primeiro eles acham que é bala e depois sabem que tem alguém vendo”, explicou.

A casa vizinha, abandonada, teve portas e janelas roubadas.

Cuidado prévio. O delegado seccional de Campina Grande,Iasley Almeida, explicou que as vítimas não procuraram a polícia para informar os furtos, mas lembrou que todos os cuidados precisam ser tomados quando uma casa fica vazia, caso de ambos os assaltos detalhados pelos vizinhos. “É o cuidado prévio, avise a vizinhos e a parentes para que fique visualizando a residência. Nós vamos informar a Polícia Militar para intensificar as rondas no bairro, mas os cuidados precisam partir também dos proprietários”, disse.

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