sexta, 18 de setembro de 2020

Violência
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Amenizando a dor e o trauma de um estupro

Aline Martins / 28 de dezembro de 2016
Foto: Arquivo
Este ano, até o dia 22 deste mês, 90 vítimas de estupro foram atendidas no Instituto Cândida Vargas (ICV), que atende não apenas residentes de João Pessoa, mas também a população de outros municípios paraibanos, pois é porta aberta. Além dessa unidade de saúde, quem sofreu um estupro tem o Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, na Capital, como segunda porta de entrada para esse tipo de atendimento. Se o caso aconteceu com crianças e adolescentes, após uma avaliação, a vítima pode ser encaminhada para um serviço especializado do Complexo Arlinda Marques. As vítimas passam por exames e tomam medicamentos contra Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). Nesse último ponto, 59 vítimas delas receberam. Mas especialistas na área reforçam a necessidade da procura até 72 horas após a violência, pois é possível evitar a gravidez.

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No ICV, a diretora Multiprofissional, Lisieux Pires, explicou que as vítimas são atendidas por uma equipe composta por médicos, ginecologistas, psicólogos e assistentes sociais. “Elas são atendidas por um médico de plantão que vai avaliar o caso, encaminham para exames, tomam a pílula do dia seguinte e antirretrovirais”, comentou, destacando que o tratamento é padrão determinado pelo protocolo do Ministério da Saúde. No caso a pílula do dia seguinte, só nas situações que a violência aconteceu até 72 horas. A orientação é que as vítimas procurem de imediato atendimento. Desde 2006, o Instituto faz esse tipo de atendimento. Ainda de acordo com Lisieux Pires, é importante que as mulheres procurem as polícias para que também façam a coleta de material biológico e ajude a identificar e prender o agressor. Isso é feito na Gerência de Medicina e Odontologia Legal (Gemol).

No caso das crianças e adolescentes que sofrem a violência sexual, elas passam por acompanhamento no Complexo Infantil Arlinda Marques, que fica no bairro de Jaguaribe. “No caso das meninas após a menarca, após elas menstruarem, ou 14 acima, a referência no primeiro atendimento é na Cândida Vargas. Meninos podem no Arlinda Marques. O atendimento de urgência é feito no Trauma e o que a gente faz no Arlinda Marques é o acompanhamento dos casos, dá as medicações de prevenção”, frisou a pediatra Conceição de Maria Queiroga Almeida, que atende no programa Anviva – que é um ambulatório especializado em atendimento de vítimas de violência física, psicológica e sexual. Ela ainda pontuou que nos casos de meninas abaixo de 14 anos e que ainda não teve a primeira menstruação, o atendimento de imediato é no Arlinda Marques.

A Maternidade Frei Damião não faz esse tipo de atendimento. De acordo com o diretor técnico, o médico pediatra Bruno Leandro Souza, a porta de entrada é o ICV ou o Hospital de Trauma da Capital. “No Cândida Vargas e no Hospital de Trauma são feitos os primeiros atendimentos e encaminhamentos para tomar as drogas antivirais para a profilaxia da Aids, HIV. E se por acaso a mulher engravide e deseja levar a gravidez a diante, que acontece em alguns casos, ela é acompanhada normalmente no posto de saúde da família e se for uma gravidez de risco habitual, isso é encaminhado para as maternidades de alto risco. Agora aquelas meninas que desejam fazer o abortamento, elas fazem boletim de ocorrência. Depois do boletim, faz a marcação e em qualquer maternidade ela pode fazer o procedimento de abortamento legal”, afirmou, destacando que tanto no Trauma como no Arlinda Marques, as vítimas tomam medicamento antirretrovirais para diminuir de ser contaminação do HIV e vacinas, principalmente contra a hepatite B. além disso, também pode receber atendimento para outras doenças sexualmente transmissíveis.

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