segunda, 21 de setembro de 2020

Violência
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IPC disponibiliza peritos da Paraíba para identificar corpos de presos do presídio do RN

Luís Eduardo Andrade / 16 de janeiro de 2017
Foto: Arquivo
A tensão que tomou conta dos presídios no Brasil inteiro já chegou à Paraíba, porém ainda não com a mesma gravidade de outros Estados, como por exemplo o Rio Grande do Norte. Tensão em presídios de João Pessoa e Campina Grande, rebelião com mortes em Patos e aumento dos conflitos em Natal forçaram a Secretaria de Segurança do Estado a tomar providências para evitar novos motins.

Para reprimir de vez qualquer tipo de ação dos detentos, além das integrações com as secretarias de outros estados, a Administração Penitenciária da Paraíba informou que segue tomando medidas preventivas dentro dos presídios, como revistas nas celas e operações "pente-fino", com o propósito de encontrar e apreender armas e drogas em posse dos apenados.

A assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança e Defesa Civil do Estado confirmou que está tomando providências para conter eventuais rebeliões nos presídios da Paraíba. Um dessas ações foi a integração com a Secretaria de Segurança do Rio Grande do Norte, onde os dois órgãos discutirão as melhores maneiras de combater os conflitos.

E fruto dessa parceria, o Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC) disponibilizou equipes de perícia para identificação dos corpos dos mais de 25 detentos mortos na rebelião que aconteceu neste domingo (15), no presídio de Alcaçuz, no Estado potiguar.

BRIGA DE FACÇÕES

As autoridades atribuem as rebeliões ao crime organizado, mais precisamente às brigas entre facções criminosas. De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária da Paraíba, todos os presídios do Estado dividem os presos nos pavilhões de acordo com as facções que os mesmos fazem parte. A técnica também é adotada nos demais presídios do país, entretanto não parece estar surtindo efeito nos últimos dias.

CRISE NO SISTEMA PENITENCIÁRIO

Desde o início do ano, as chacinas têm sido frequentes em vários presídios do Brasil. O reflexo de um sistema falho e desumano se potencializou nos últimos dias. Primeiramente em Manaus, quando presidiários iniciaram uma rebelião que durou mais de uma semana e terminou com um saldo de 56 mortos. Na mesma semana, a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo foi palco de outro banho de sangue: 33 presos assassinados. E ainda nessa macabra semana, o caos chegou a Paraíba. Em Patos, dois apenados foram mortos no presídio Romero Nóbrega, no sertão paraibano.

De acordo com Wignes Nadjare, presidente dá Comissão de Direitos Humanos dá OAB e membro dá comissão de combate a tortura, uma melhor política carcerária se faz necessária, influenciando, inclusive, a vida fora das penitenciárias.




"Quando fazemos as visitas internas, o que presesenciamos in loco, são situações degradantes que em nada contribui para que o presidiário no momento que retorne a sociedade volte melhor. Quando nós convocamos para discutir a segurança pública, não estamos olhando apenas para quem está dentro. Estamos olhando para quem está dentro na perspectiva de melhorar para quem está fora. Só que as pessoas tem esta dificuldade de compreender isto, não estamos para discutir apenas o cárcere, estamos para discutir a política carcerária e a política de segurança publica, que é algo muito mais amplo", disse.








Wallber Virgolino, secretário de Justiça do Rio Grande do Norte, acredita que as rebeliões podem ter relação: "A ação de lá (Manaus) acabou incentivando a daqui.", afirmou.

NA PARAÍBA

O presídio do Róger foi alvo de uma confusão entre presos no último dia 9 deste mês. O motivo da briga não foi informado, mas os agentes conseguiram controlar os detentos e estabelecer a ordem. Porém, as visitas dos familiares estão suspensas. A inquietude também tomou conta do Serrotão, em Campina Grande. Familiares de alguns detentos informaram que, de acordo com os presos, um clima de tensão se instaurou na penitenciária, tudo em decorrência das últimas rebeliões no Brasil. E por fim, na Penitenciária Romero Nóbrega, em Patos, dois homens foram executados a tiros por outros detentos que portavam uma arma de fogo dentro do presídio. De acordo com a Polícia Civil, os assassinatos teriam sido motivados por um crime que aconteceu fora da cadeia, também por conta de rixas entre facções.

 

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