quinta, 21 de janeiro de 2021

Cidades
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Violência trava expectativa de vida na Paraíba

Ainoã Geminiano / 02 de dezembro de 2017
A expectativa de vida cresceu e a mortalidade infantil caiu na Paraíba, entre os anos de 2015 e 2016, mas especialistas avaliam dados como negativos, porque poderiam ser melhores. De acordo com os dados divulgados nessa sexta (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o paraibano tinha uma expectativa de viver 73 anos e dois meses em 2016, três meses a mais que no ano anterior. As mulheres paraibanas vivem 7,8 anos a mais que os homens. Em 2015, para cada mil crianças nascidas vivas na Paraíba, 17 morriam antes de completar um ano de idade. No ano passado, a taxa de mortalidade caiu para 16,1.

Apesar de serem dados positivos, se analisados apenas os números, a socióloga Simone Maldonado considera as taxas negativas, se considerar o quanto poderiam ser melhores, caso o Brasil e a Paraíba tivessem resolvido problemas considerados graves. "Uma das coisas mais sérias é a péssima qualidade do serviço de saúde pública. As pessoas ainda passa dois, três dias sentadas em cadeiras de plástico, dentro de um hospital, esperando uma cirurgia, por exemplo. Uma saúde pública de qualidade influencia diretamente na expectativa de vida e poderia nos fazer viver por muito mais tempo que 73,2 anos", afirmou.

Na conta dos problemas que impedem maior crescimento da expectativa de vida, Maldonado também coloca a precarização do ensino público. "Muito se fala da importância da educação, que de fato é e também tem muita influência na sobrevida. Mas o que vemos é nossas escolas sucateadas, professores desmotivados e os velhos problemas persistindo", acrescentou. A socióloga também lembrou os altos índices de violência, que resultam em centenas de mortes diárias no país.

Com relação à queda da mortalidade infantil, Maldonado também não vê motivos para comemoração. "Dezesseis crianças morrendo antes de completar um ano ainda é muita morte. Claro que a taxa vai cair, porque o mundo evolui, a medicina evolui, o acesso aos medicamentos, às tecnologias, à informação, tudo evolui e não ficaríamos dentro de uma caverna, para manter os mesmos índices de anos anteriores. Mas não dá pra dizer que está bom 16 crianças morrendo antes de um ano, para cada mil que nascem", concluiu.

Destaque

A maior expectativa de vida do país está em Santa Catarina (79,1 anos) e a menor, no Maranhão (70,6 anos). A menor taxa de mortalidade infantil é do Espírito Santo (8,8) e a maior é no Amapá (23,2).

Expectativa de vida por ano











































Ano TOTAL Homens Mulheres
2015 72,9 69 76,8
2016 73,2 69,3 77,1


Série histórica































































ANO 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Paraíba 69,7 70,1 70,5 70,9 71,2 71,6 71,9 72,3 72,6 72,9 73,2


Por região





















































































































Ranking NORDESTE Expectativa
Rio Grande do Norte 75,7
Pernambuco 73,9
Ceará 73,8
Bahia 73,5
Paraíba 73,2
Sergipe 72,7
Alagoas 71,6
Piauí 71,1
Maranhão 70,6
BRASIL 75,7


 

Mortalidade infantil

 





















































































































Ranking NORDESTE 2016
Maranhão 21,3
Alagoas 19,5
Piauí 19,1
Bahia 17,3
Sergipe 16,2
Paraíba 16,1
Rio Grande do Norte 14,7
Ceará 14,4
Pernambuco 12,7
BRASIL 13,3


Série histórica































































ANO 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Paraíba 30 28 26,1 24,4 22,9 21,5 20,2 19 18 17 16,1

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