sábado, 16 de janeiro de 2021

Cidades
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Violência não poupa nem os idosos na Paraíba

Lucilene Meireles / 22 de abril de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
O envelhecimento traz uma série de consequências para o ser humano, mas além do peso da idade, muitos idosos sofrem com a violência física, psicológica e o abandono dos próprios familiares. Muitos definham sem pedir ajuda. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) apontam que os casos de violência física na Paraíba aumentaram 10,5% em 2016 comparado ao ano anterior.

Porém, há outros números, como os de atendimentos feitos em João Pessoa pela Coordenadoria da Proteção Especial de Média Complexidade (PSEMC) e os dados da Delegacia Especializada do Idoso, que abriu centenas de procedimentos na Capital em 2016.

“Ao atender um idoso vítima de qualquer tipo de violência, a PSEMC encaminha aos Creas, Centros de Referência de Assistência Social (Cras), Promotoria do Idoso, Delegacia do Idoso ou ao Programa de Atendimento à População Idosa (Pappi). Geralmente, a violência acontece em casa e é cometida por familiares”, declarou a coordenadora da Proteção Especial de Média Complexidade, Josenilda Nascimento.

A titular da Delegacia Especializada em Atendimento ao Idoso, Vera Lúcia Soares, explicou qual o procedimento quando o caso de agressão é confirmado. “É feito um relatório que é encaminhado à delegacia e ao Ministério Público Estadual (MPPB). Se for o caso, é apurado criminalmente”, observou. Ela ressaltou que o tipo de agressão com mais casos são os maus tratos contra o idoso que giram em torno do dinheiro. “Quanto mais dinheiro ele tem, mais ocorre problema”, acrescentou.

Foi dopada e abandonada

Do alto de seus 85 anos, a aposentada Joana Batista de Albuquerque sabe bem o que é ser espancada dentro de casa. Após a morte do marido, com quem não teve filhos, ela passou a morar sozinha. Porém, o enteado e a esposa a convidaram para morar com eles.

A idosa descobriu que ambos estavam desempregados e o interesse era em sua aposentadoria. Mesmo assim, decidiu ir morar com o casal. Foi quando começaram as sessões de espancamento. Até que um dia ela foi dopada e jogada na beira da estrada. “Não sei o que eles me deram. Só lembro quando tiraram as duas alianças (dela e do marido) do meu dedo. Queriam que eu fosse atropelada. Queriam me matar”, lembrou. Ela perdeu a visão e o movimento das pernas após as agressões.

O diretor da Vila Vicentina, onde a idosa vive hoje, contou que os relatos de violência são sempre chocantes.

“Temos também muitos idosos que chegam vítimas de abandono de familiares. O MPPB recebe denúncias, investiga e pune a família, e traz o idoso para cá. Recebemos vítimas de maus tratos, violência. Alguns vêm por conta própria. Outros, a família traz, e há os que são encaminhados pelo MPPB”, observou Washington do Nascimento Cardoso, presidente da Vila Vicentina.

Para denunciar

▶ Disque 100

▶ Delegacia do Idoso – 3218-6762

▶ Secretaria de Desenvolvimento Social - 3218-9232

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