sábado, 06 de março de 2021

Cidades
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Viaduto do Geisel esbarra em áreas invadidas e moradores querem indenização

Bruna Vieira / 11 de setembro de 2015
Foto: Assuero Lima
 

Moradores e comerciantes das imediações do Estádio Almeidão se recusam a deixar o local, onde está sendo construída uma avenida paralela à BR-230, no bairro do Cristo Redentor. O trecho faz parte da obra do viaduto do Geisel, iniciada em junho do ano passado. As famílias pedem indenização para saírem do local, mas a Suplan diz que o terreno está na faixa de domínio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e o grupo não tem direito ao benefício.

Marta de Mendonça tem uma churrascaria bem no meio da via que está sendo aberta, que dará acesso às alças do viaduto do Geisel. Ela mora com mais cinco pessoas e diz que não tem para onde ir. “Há 40 anos, a gente tem esse negócio e mora aqui. Em 2013, pediram para que saíssemos e entramos na justiça, pois não temos para onde ir. A obra já está rachando as paredes e perdi clientes por conta da poeira e do mau cheiro em umas escavações”, contou.

Dona Ivanira Rodrigues trabalha com o esposo há anos no local e já não sabe o que fazer. “Sempre moramos aqui. Meu marido não tem outro emprego e não temos o que fazer. Querem tirar a gente daqui, mas não querem indenizar porque não temos escritura nem provas de que o terreno é nosso. Dizem que é do governo”, disse.

Do outro lado da avenida, a situação se repete e as máquinas se aproximam. “Há mais de 20 anos trabalho aqui, tenho esposa e dois filhos. Ainda vou ver o que fazer quando formos retirados. Tenho medo, porque estamos sem alternativa”, relatou o borracheiro Romero Ferreira.

Entrave. O diretor-técnico da Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado (Suplan), Luiz Rabelo, informou que o entrave com os moradores não vai atrasar a a obra, “Eles não tem direito à indenização, pois é uma ocupação de área pública, o Dnit está providenciando a retirada, mas a obra não para. A via vai passar na lateral dos bares, não vai derrubar ainda, mas eles não podem ficar lá”, afirmou.

O cronograma de entrega da obra se mantém para agosto do ano que vem. “Se o tempo permitir. Vamos tentar antecipar por conta das chuvas do ano que vem”, concluiu.

A reportagem tentou contato com o Dnit para saber das providências tomadas para a retirada das famílias, mas as ligações não foram atendidas.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba.

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