sábado, 21 de setembro de 2019
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Vegetação é ameaçada por lixo e ocupação nas praias de JP

Lucilene Meireles / 13 de janeiro de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
As placas lembrando que a vegetação ao longo da areia é área de preservação permanente estão por todo o litoral paraibano, mas sozinhas não têm sido suficientes para evitar que as pessoas destruam a vegetação de restinga. Nos municípios de João Pessoa e Cabedelo, por exemplo, muitos banhistas sequer sabem que se trata de área de preservação e, nos finais de semana, invadem esses locais com mesas, cadeiras, churrasqueiras e até veículos. A ocupação causa danos às plantas que servem, entre outras funções, para fixar as dunas e evitar que a areia se espalhe.

Na manhã de ontem, na praia do Cabo Branco, a vegetação estava cheia de lixo e, segundo comerciantes da área, além de deixar embalagens plásticas, descartáveis, garrafas PET, as pessoas ainda urinam e defecam em alguns trechos da vegetação.

A bióloga Rita Mascarenhas afirmou que a presença de pessoas e motocicletas dentro da vegetação é fato rotineiro, e ressaltou que o problema é grave, tanto em relação à destruição do verde quanto ao descarte inadequado do lixo.

A medida mais eficaz, conforme analisou, seria delimitar a área. “Em vários locais do Brasil, toda a restinga nas praias é cercada e ficam as passagens abertas, como se fossem trilhas, para as pessoas acessarem a praia sem problemas. Assim, garante-se a proteção do meio, sem impedir que as pessoas usufruam da praia”, disse.

Segundo ela, é assim no Rio de Janeiro, em muitas praias do Espírito Santo, e em Santa Catarina. “Já fiz inúmeras vezes essa proposta em reuniões, mas nunca obtive sucesso. É um método simples e eficaz”, garantiu. Para a especialista, as placas de identificação são importantes, porque alertam sobre a fragilidade e necessidade de proteger o ambiente. O problema, na opinião de Rita, é que, apesar disso, quase ninguém respeita, e faltam campanhas educativas, seja com placas, faixas ou banners mais explicativos.

Fiscalização e ação educativa em JP



A Secretaria de Meio Ambiente de João Pessoa (Semam) informou que, de janeiro a dezembro, promove ações educativas, de fiscalização, de preservação e recuperação dos trechos de vegetação de restinga na Capital.

Conforme a Semam, todos os dias há equipes de fiscais atentas para as áreas de preservação, entre elas áreas verdes e toda a vegetação de restinga, também chamada de vegetação fixadora de dunas.

Quando é constatada alguma infração, como retirada de vegetação ou ocupação irregular, os responsáveis são notificados e autuados, mas a Secretaria não tinha os dados específicos.

Mapeamento e capacitação



Em 2018 os técnicos da Divisão de Fiscalização e educadores ambientais da Semam João Pessoa mapearam todos os 58 quiosques, bares e restaurantes, instalados na calçadinha da praia. Eles promoveram um treinamento para os proprietários e funcionários dos estabelecimentos.

Conforme a Semam, a capacitação teve vários objetivos, como treinar para a destinação correta dos resíduos e repassar informações importantes sobre a preservação da vegetação do entorno.

Além do trabalho feito com os donos de estabelecimentos comerciais, estudantes de escolas públicas e privadas também foram atendidos pelas equipes de educadores ambientais. Nas ações, são trabalhadas as questões de preservação e recuperação ambiental. Esses atendimentos são feitos pelas equipes do Centro de Estudos e Práticas Ambientais (Cepam), da Bica.

As dicas da Semam para quem frequenta as praias e quiosques são evitar pisotear e ocupar os locais de vegetação, pois essas áreas têm várias funções, entre elas a de preservar a praia e evitar que a areia se espalhe pelo continente. Além disso, a vegetação fixadora de duna também serve de abrigo para aves migratórias.

Cabedelo vai ampliar número de placas



No município de Cabedelo, existem placas pela orla, mas a Prefeitura vai ampliar esse número. “A melhor forma de fazer o contato com a população é com as placas. Vamos confeccionar mais e, inclusive, instalar novas lixeiras. Estamos em fase de contratação”. A declaração é do secretário de Meio Ambiente, Pesca e Aquicultura, Walber Farias Marques.

Na cidade, também estão sendo preparadas faixas para chamar a atenção das pessoas com informações relacionadas à preservação. “É um trabalho com a equipe de conscientização de resíduos sólidos na praia e, daqui para o carnaval, esperamos estar com esse trabalho concluído”, acrescentou.

O secretário afirmou que as placas são educativas. “Infelizmente, as pessoas ainda insistem em ocupara essas áreas em alguns pontos. Temos uma equipe de fiscalização ambiental, do pelotão ambiental todos os dias, orientando as pessoas a se retirarem, mas algumas instalam até barracas”, disse.

A Prefeitura de Cabedelo, conforme Farias, compreende que a praia é um espaço de lazer, mas lembrou que os banhistas precisam respeitar as áreas de preservação. “Nosso interesse não é acabar com o lazer das pessoas, mas sim orientar, fazendo com que elas ocupem um local onde não há risco para a vegetação. Nossas campanhas são in loco e o atendimento tem sido interessante. Não temos conflito com a população, embora falte bom senso a alguns”, completou.

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