domingo, 09 de dezembro de 2018
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Usuários reclamam da qualidade do sistema de ônibus de Campina Grande

Ricardo Júnior / 27 de maio de 2018
Quem depende do transporte público para se locomover em Campina Grande enfrenta uma série de problemas diariamente. Entre as principais reclamações dos usuários estão a frota insuficiente, os atrasos constantes, os bancos e janelas quebrados e até buracos na lataria dos ônibus. Outra queixa apresentada foi a violência, que se manifesta na forma de assaltos e nos casos de assédio contra as mulheres.

“Certa vez, um homem colocou um facão na minha barriga e levou meu celular. Depois disso, fiquei traumatizada ao ponto de só andar de [transporte] alternativo. Hoje em dia, eu já entro no ônibus orando, pedindo a Deus que me guarde durante a viagem. A gente paga muitos impostos e o valor absurdo de R$ 3,30 em uma passagem, sem ter segurança nenhuma. Sabemos a hora que entramos no ônibus, mas não sabemos se vamos sair”, lamentou a estudante Izabelle Araújo, 22 anos.

Izabelle revelou ainda que a superlotação e os atrasos são os principais problemas vistos nos ônibus que levam os estudantes para as universidades, ocasionando riscos de acidentes. “Há uma falta de respeito por parte dos motoristas que, por conta dos atrasos, não querem esperar a gente subir no ônibus para poder sair. Não deixo de pensar que a qualquer momento essa atitude pode resultar em um acidente”.

A estudante Amanda Farias, 21 anos, relatou duas situações que presenciou por conta da superlotação. “Uma mulher quase teve o braço prensado na porta, quando estava subindo no ônibus. Outra vez, aproveitaram que o veículo estava lotado para roubar o celular de uma menina sem ela perceber. As câmeras de segurança não serviram para nada. Além disso, alguns estudantes acabam tendo que ir próximo da porta, correndo riscos de se machucarem”, afirmou.

Hannah Débora, 22 anos, declarou que o medo de sofrer algum tipo de violência lhe acompanha dentro e fora dos ônibus. “Às vezes, quando estou em pé, alguns homens se aproveitam da situação para encostar em mim. No Terminal de Integração, eu ando desconfiada, com medo de alguém me assaltar”. A jovem disse que já teve seu celular roubado em uma das linhas de ônibus que faz o trajeto para as universidades.

Em contato com a reportagem do CORREIO DA PARAÍBA, o Superintendente da Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos (STTP), Félix Neto, destacou as ações do órgão no combate à violência. “A STTP instalou câmeras de segurança em todos os ônibus e também no Terminal de Integração, além de biometria facial e monitoramento por GPS.  Infelizmente, a violência não é uma particularidade dos transportes públicos, mas um problema amplo que atinge toda a sociedade. Não temos como colocar segurança particular ou policiamento em cada unidade, dependemos das ações dos órgãos de segurança”, declarou.

Félix revelou ainda que não foi registrada nenhuma denúncia de buracos na lataria de ônibus. Caso o problema fosse constatado, os veículos seriam recolhidos e só liberados após nova vistoria por parte do setor de cadastro do órgão. Segundo ele, os bancos quebrados são decorrentes de ações de vandalismo dos próprios usuários do sistema.

“Temos problemas pontuais em determinados gargalos de trânsito. Infelizmente, os ônibus circulam no mesmo trânsito que os demais veículos e ficam presos a congestionamentos. Diferentemente dos carros particulares, eles devem dar prioridade ao itinerário determinado e só desviar dele em casos de força maior”, completou o Superintendente.

SEM REPOSTA

A reportagem entrou em contato com o diretor institucional do Sindicato de Transportes Públicos de Campina Grande (Sitrans), Anchieta Bernardino, mas ele disse que não iria comentar o assunto por questões contratuais firmadas com a Prefeitura Municipal de Campina Grande, através da STTP.  De acordo  com ele, há 200 ônibus em circulação na cidade  e mais dez de reserva.

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