terça, 21 de novembro de 2017
Cidades
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Transtornos mentais em pacientes com chikungunya

Renata Fabrício / 24 de março de 2016
Foto: Arquivo
O agravamento de casos de pacientes com chikungunya está preocupando psiquiatras de Pernambuco. Pelo menos quatro médicos relataram, em um grupo de discussões, que pacientes que tiveram a doença apresentaram sinais psicóticos até 30 dias após os primeiros sintomas da doença.

Os relatos já mobilizam professores de duas universidades de Pernambuco para a criação de um grupo de pesquisa para investigar se há associação da arbovirose, transmitida pelo Aedes aegypti, com alterações psiquiátricas.

O psiquiatra e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Amaury Cantilino, diz que os relatos apareceram entre médicos de saúde mental. “Em uma discussão entre médicos, quatro psiquiatras chegaram a relatar casos de pessoas que tiveram chikungunya e 15 ou 30 dias depois dos primeiros sintomas, apresentaram quadros psiquiátricos diversos, como depressão, irritabilidade e psicose”, disse.

Infectologistas já sabem que alguns vírus atacam o sistema nervoso central, como é o caso do zika. A mesma associação que foi feita para o zika, psiquiatras querem fazer com o vírus da chikungunya. “O vírus da herpes, da influenza e da Aids provocam alterações psiquiátricas, então ficamos imaginando que talvez esse vírus (chikungunya) também possa causar alterações psiquiátricas. Essa é uma hipótese, que ainda não foi confirmada, porque ainda não foi feita uma associação formal. Eu e a doutora Kátia Petribú já começamos a pensar nesse sentido para poder checar se a associação é verdadeira ou não”, explica Cantilino.

30% sem sintomas. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 30% dos infectados são assintomáticos e os médicos consideram tudo uma possibilidade. “Não chegamos a pensar sobre os pacientes assintomáticos. É uma dúvida pertinente, e uma possibilidade. Ainda não sabemos muita coisa sobre a chikungunya e as repercussões dela. Sabemos que outras viroses podem causar produção de anticorpos contra a membrana neuronal, que é o próprio vírus em contato com o sistema nervoso central. Então precisamos estudar”, ressalta.

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