sexta, 21 de setembro de 2018
Transporte
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Trens urbanos em situação precária

Beto Pessoa / 13 de janeiro de 2018
Foto: Nalva Figuereido
A CBTU conta hoje com cinco novos Veículos Leves sobre Trilhos, que dão mais conforto aos passageiros, e passagem custa R$ 0,50. Usuários que precisam dos trens urbanos da Região Metropolitana de João Pessoa têm reclamado da precariedade das estações. Apesar das unidades já contarem com Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs), que dão mais conforto aos passageiros, a situação fora dos trens ainda está longe de ser a mais adequada.

Na estação de João Pessoa, por exemplo, faltam desde assentos para espera até higiene nos banheiros. A dona de casa Marinês da Silva, 46 anos, reclama que na maioria das vezes só restam duas opções enquanto o trem não chega: ficar em pé ou sentar no chão de cimento. “Não tem cadeiras suficientes. Tem muito idoso, criança, pessoa com problemas no joelho, que, já que não tem cadeira, precisa sentar no chão mesmo”.

Outra dona de casa insatisfeita com a estação de João Pessoa é Maria Dalva, 45 anos. Toda semana ela e seu filho de 8 anos de idade esperam o trem para Cabedelo, mas lá não encontram a infraestrutura adequada. “Com criança é mais difícil. Primeiro que tiraram o bebedouro de água, só bebe água quem pode comprar. Se estiver cansada e precisar sentar, não tem cadeira. O banheiro é muito sujo, quando ele precisa, peço para esperar, porque não tem higiene”, disse.

A professora Maria José Medeiros, 50 anos, também se preocupa com a falta de infraestrutura para as crianças, sobretudo no que diz respeito à proteção. “Às vezes fazemos passeios com os alunos da escola em que trabalho, mas ficamos preocupadas, porque não tem proteção entre a plataforma e o trilho. Qualquer um pode cair ou ser empurrado. Se não se machucar pelo trem, se machuca na altura da queda”, disse.

Para a dona de casa Angela Rodrigues, 52 anos, existem problemas na infraestutura, mas nenhum deles supera a falta de segurança. “É o pior que tem, né? A gente se sente observado, que pode sofrer algum arrastão. Porque nem na estação nem dentro dos trens tem segurança suficiente. Só uso o trem quando estou sem dinheiro para ônibus, já que a passagem custa só 50 centavos”, explicou.

Mais problemas em Bayeux

Nas demais estações, também se encontra relatos de insatisfação. A comerciante Iracema Alexandre, 50 anos, todo dia pega o trem na estação de Bayeux, quinto maior município do Estado. Lá, quase não há infraestutura. “Não tem higiene, não tem um bebedouro. Não tem lixeira para colocar lixo. Para sentar temos que segurar o banco para não cair”, disse. O banheiro do local, que era usado pelos usuários, hoje se tornou exclusivo para funcionários. Para sentar na espera do trem, só existem dois bancos, sendo um deles quebrado. Para o comerciante Wesley Santos, 20 anos, a insegurança na estação de Bayeux também preocupa.

CBTU respondeu insatisfações

Sobre a segurança das estações e trens, a assessoria de imprensa da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) disse que é realizada por agentes do quadro efetivo aprovado no último concurso público, que contam com a segurança eletrônica no patrulhamento das áreas.

Sobre a falta de assentos, a assessoria informou que em todas as estações a CBTU disponibiliza bancos em quantidade necessária para atender aos usuários. A respeito dos bebedouros, foi informado que eles foram retirados devido ao surto de dengue e zika. Além disso, os bebedouros eram constantemente depredados.

A respeito da falta de banheiros, foi informado que há sanitários nas estações terminais e de cruzamento (Cabedelo, Mandacaru, João Pessoa e Santa Rita). Nas demais não há necessidade por serem apenas paradas. A limpeza é realizada após a passagem de cada trem.

A assessoria informou que os banheiro sofrem constantes depredações por parte dos próprios usuários, que chegam a danificar torneiras, descargas, vasos sanitários, além de fazerem necessidades fisiológicas no chão.

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