quarta, 17 de julho de 2019
Trânsito
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Proposta da Câmara Municipal de Terminal de integração em Valentina é polêmica

Bárbara Wanderley / 06 de outubro de 2017
Foto: Assuero Lima
“Para que um terminal se não tem ônibus?” Essa é a pergunta repetida por diversos moradores do Valentina Figueiredo ao serem questionados sobre a proposta da Prefeitura de João Pessoa de construir um novo terminal de integração no bairro, onde hoje é o campo da Marquise.

A ideia, apresentada na Câmara Municipal esta semana, não foi bem aceita pela população que afirma que o campo é o único local de lazer do bairro, utilizado para jogos de futebol e caminhadas. A Prefeitura, por outro lado, garante que a área de lazer não será prejudicada. “Para fazer uma integração tem que ter coletivo, aqui não tem”, afirmou Marcos Soares, proprietário de uma borracharia localizada ao lado do campo. “Pelo projeto a gente teria que sair daqui. A gente está fazendo um abaixo-assinado, já tenho cinco folhas assinadas pelas pessoas que caminham aqui”, afirmou.

Já o aposentado Manoel Inácio Neto questiona o fato de, em 2014, ano em que ele ajuizou ação no Ministério Público sobre a melhoria do transporte coletivo no Valentina, a Superintendência de Mobilidade Urbana (Semob) teria dito que o projeto no campo da Marquise estava descartado. “Não entendo por que mudaram de ideia. Não sou contra a construção do terminal. Queremos e precisamos dele, mas existem terrenos mais adequados”, disse. Já a auxiliar de serviço Marta Soares acredita que a obra não é necessária, pois o bairro já conta com dois terminais de integração. “Esse campo é uma das coisas que beneficia o Valentina. Pra que integração se a gente nem tem ônibus direito?”, questiona.

O superintendente da Semob, Carlos Batinga, afirmou que o campo é o melhor local. “O Valentina é uma área que cresceu muito rápido e sem planejamento viário. O terminal de integração vai ajudar muito a população”, avaliou. Ele explicou que o campo não será destruído e sim, revitalizado, ganhando também uma pista de cooper. Alguns moradores do bairro, entretanto, não estão convencidos. “Se vai ter ônibus, vai ter poluição. A pessoa fazer exercício na poluição não dá certo”, ponderou Damião Neves. “Um campo de 44 metros com grama sintética ou natural não aguenta as peladas que tem aqui três vezes por semana e mais os campeonatos no final de semana”, analisou o policial Claudemir Menezes. “A prefeitura está cedendo um patrimônio que é da comunidade. O que precisa ser feito é aumentar a frota de ônibus e fazer uma ciclovia que aqui não tem”, opinou Claudemir, que trabalha em um escritório de advocacia e afirmou que quer entrar com ação para embargar o projeto.


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