sábado, 28 de novembro de 2020

Trânsito
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Fiscalizações pegam bêbados ao volante, mas infratores dão ‘jeitinho’

Ainoã Geminiano / 22 de setembro de 2016
Foto: Divulgação
A Operação Lei Seca completou, ontem, quatro anos de atividade na Paraíba. A data foi comemorada com 9.658 motoristas flagrados embriagados. Entre as dificuldades encontradas no trabalho, a coordenação da operação se queixa da velha ‘carteirada’, que já levou agentes da Lei Seca a ter que responder a processos, movidos por condutores embriagados que gozam de prerrogativas privilegiadas.

O coordenador da Lei Seca, Ricácio Lima da Cruz, disse que, apesar do alto número de autuações de motoristas embriagados, ao longo dos quatro anos, as infrações ainda não caíram na proporção esperada, porque a legislação brasileira tem falhas que favorecem o infrator, após determinado nível de reincidência. “O brasileiro tem a cultura de só obedecer aquilo que afeta o bolso e, por isso, os novos valores das multas podem trazer algum resultado. Mas o que precisamos mesmo é que seja criada uma tipificação penal, que transforme em crime a reincidência, quando esta chega em um nível que já não é alcançado pelas medidas administrativas”, disse.

Ricácio se refere ao caso dos motoristas que são flagrados embriagados, mesmo após terem a habilitação cassada. Nessa situação, ele sai do registro nacional de condutores e não há mais como multá-lo. “Se ele não tiver ultrapassado o limite de 0,34 mg de álcool por litro de ar, o que caracteriza crime, as medidas administrativas não terão mais efeito”, acrescentou.

Os números da Lei Seca também revelam que mais de 1,3 mil condutores flagrados bêbados, também não eram habilitados ou estavam sem a CNH. “Mesmo sem habilitação, essas pessoas são punidas da mesma forma. Se o teor alcoólico estiver abaixo de 0,34, serão feitas as medidas administrativas e as multas irão para o dono do carro. Se estiver acima do limite, ele será levado para a delegacia e autuado por crime de trânsito”, explicou Ricácio.

Um dos principais desafios dos agentes da Lei Seca, segundo a coordenação, é lidar com as chamas ‘carteiradas’ - pessoas que ocupam cargos influentes e tentam intimidar os agentes para passar pela operação sem serem fiscalizados. Segundo Ricácio Cruz, casos como esses já obrigaram dois agentes a responderem a uma sindicância e a um processo administrativo. “Isso acontece com muita frequência e gera uma dificuldade para nosso trabalho, porque algumas dessas pessoas conseguem mobilizar forças suficiente para isso”, disse o coordenador.

Evento na praia. Para marcar a data de aniversário da Lei, será feita uma blitz educativa na orla da Capital, com abordagens e testes de bafômetro, acompanhados de um convite aos condutores para um lanche no Largo da Gameleira, em Tambaú. “Hoje, nosso objetivo não  foi punir e sim conversar com a população e mostrar a ela o quão é importante o trabalho da Lei Seca, o objetivo de nossa missão que é salvar vidas”, disse o coordenador.

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