domingo, 19 de novembro de 2017
Trânsito
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Espera no trânsito afeta saúde física e mental

Luana Barros e Nice Almeida / 19 de outubro de 2015
Foto: Assuero Lima
Dores de cabeça e musculares, problemas gástricos e até nasais, além de alergias. Esses problemas de saúde podem ser o resultado de até três horas de espera no trânsito. O humor também acaba sendo afetado e o motorista fica estressado, agitado e irritado. De acordo com pesquisa divulgada recentemente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 39% das pessoas perdem mais de uma hora, por dia, no trânsito. Outros 12% ficam entre duas e três horas parados em congestionamentos.

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É o caso da professora Marina Brito dos Santos. Ela mora no Geisel, em João Pessoa, e todos os dias enfrenta o estresse de ficar presa por, pelo menos, meia-hora no trânsito até conseguir sair do bairro. A espera tem gerado até mesmo problemas de saúde em Marina, que não consegue evitar o estresse.

"No começo da semana ainda dá pra evitar a irritação, mas quando vai chegando o final da semana, de quinta para sexta-feira, já começa a ficar mais difícil e eu já chego no trabalho agitada e estressada. Quando fica muito lento o trânsito, tem ocasiões que fico muito nervosa e algumas vezes já quase bati meu carro, chego a ter até taquicardia", relata.

A expectativa da professora é que com a realização da obra do viaduto que está sendo feito no bairro, o trânsito passe a fluir melhor na localidade evitando a continuidade de congestionamentos diários. "Agora estão construindo o viaduto do Geisel e a promessa é que esse problema seja solucionado. Com certeza quando a obra tiver pronta esse congestionamento diário vai acabar, pelo menos, é o que eu espero", ressaltou.

Sintomas do mal do trânsito

Os sintomas de Marina são mais comuns do que se imagina, segundo o psicólogo do Hapvida Saúde André Assunção, que revelou os perigos de não conseguir controlar o estresse motivado pela espera durante congestionamentos. "Os principais prejuízos são: dores musculares em regiões como braços e pernas, dores de estômago (a famosa gastrite nervosa), problemas alérgicos, dentre outros", explicou.

André ressaltou que é preciso controlar o estresse para evitar consquências na saúde do corpo. "Pode-se observar também a falta de paciência, baixa tolerância e irritabilidade em outros ambientes. Deve-se controlar e buscar uma forma de amenizar as coisas. Porém, nem todo sujeito que está no volante apresenta esses fatores de forma desordenada. Há pessoas com disposição maior ao estresse do que outras, ou seja, é uma questão de perfil", enfatizou.

O psicólogo acrescenta, ainda, que é preciso fazer uma auto-análise para verificar até que ponto se pode estar sendo afetado pelo problema. "Cada pessoa é capaz de observar a si mesmo quando está entrando em um quadro de estresse por excesso do trânsito. Basta observar seu próprio comportamento ao entrar no carro, ouvir as pessoas a sua volta (familiares e amigos), assim como, fazer um comparativo entre o estar dentro e fora do carro. Ver quais mudanças ocorrem", ressaltou.

Ter calma é a estratégia certa

André Assunção observa que manter a calma é a melhor estratégia para evitar que esse tipo de estresse acabe se transformando em doenças. "Ter calma em momentos de necessidade acaba sendo uma boa estratégia para combater o estresse. No momento da espera no trânsito, o mais aconselhável é buscar uma distração momentânea e compreender que outras pessoas estão na mesma situação que você. Buscar algo que seja positivo ao comportamento e que possa ajudar a controlar o impulso da irritabilidade e estresse no momento ajuda bastante", afirmou.

E quando a irritabilidade ultrapassar os limites do possível, o conselho é procurar um especialista. "Aceitar ajuda quando for preciso e buscar o auto-conhecimento numa análise com profissional especializado. Hoje em dia há psicólogos especialistas em trânsito, terapeutas ocupacionais com atividades voltadas para o desestresse e problemas do dia a dia. Outra forma de diminuir e erradicar os problemas ocasionados pelo trânsito são: praticar esportes, ter uma boa alimentação e escutar mais os que estão a nossa volta", finalizou.

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