sábado, 19 de junho de 2021

Trânsito
Compartilhar:

Ciretran de Campina Grande investiga fraude em concessão de CNHs para analfabetos

Wênia Bandeira / 11 de novembro de 2016
Foto: Divulgação
A Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Campina Grande  está investigando uma possível fraude na concessão de CNHs a pessoas analfabetas. A informação é do diretor de Operações do órgão, Orlando Soares. Segundo ele,  no mês de julho deste ano teria sido  aberto um inquérito administrativo para averiguar a responsabilidade do órgão na irregularidade.  O ato estaria em descumprimento ao artigo 140 do CTB.

“Nós remetemos o caso à instância superior e estamos aguardando a apuração ser finalizada. Neste momento está em fase de investigação e não temos resultado”, afirmou. Ele disse, no entanto, que o Detran está tentando corrigir o problema que vem de outras gestões, mas que não sabe quem originou o descumprimento da lei.

O artigo 140 do Código Brasileiro de Trânsito,  estabelece que :  "A habilitação para conduzir veículo automotor e elétrico será apurada por meio de exames que deverão ser realizados junto ao órgão ou entidade executivos do Estado ou do Distrito Federal, do domicílio ou residência do candidato, ou na sede estadual ou distrital do próprio órgão, devendo o condutor preencher os seguintes requisitos: ...II - saber ler e escrever"

Avaliação Pedagógica

A Ciretran de Campina Grande realizou ontem uma avaliação pedagógica para tornar pessoas, já detentoras da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), em aptas a dirigir. Isso porque alguns dos motoristas são analfabetos, o que vai de encontro à determinação do Código Brasileiro de trânsito quanto à obrigação de todos os habilitados saberem ler. Foram avaliados 26 alunos de Campina Grande e de cidades circunvizinhas.

Luisvan Barbosa, 42 anos, já dirige há 12 anos, mas na última renovação, enquanto fazia o exame de visão, o médico percebeu que ele não conseguia ler as letras do teste por não saber ler. Ele foi então encaminhado ao setor de Educação de Trânsito.

“Eu não consegui dizer duas letrinhas lá, me confundi quando fui ler. Foi quando ele viu que eu não sou tão letrado assim. Mas essa foi a primeira vez que eu tive algum problema. Das outras vezes que renovei foi tudo muito normal”, contou Luisvan.

Ontem, ele fez uma prova de ditado pela segunda vez em seis meses. Precisou escrever palavras ditas pela chefe da Divisão de Educação de Trânsito, Abimadabe Vieira e que têm a ver com placas de trânsito. Na primeira prova, ele foi reprovado. “Agora eu espero passar e voltar a ter minha carteira. Está fazendo muita falta”.

Abimadabe falou que as palavras são iguais para todos os alunos. “Eles precisam escrever corretamente todas as palavras e depois juntar essas palavras em frases como ‘não ultrapasse, área em obras’. Coisas simples que são vistas no dia a dia dos motoristas”.

Ela salientou, contudo, que os condutores não têm qualquer multa por descumprimento de regras. “Eles chamam placas pelo que parece ser. ‘Dê a preferência’, por exemplo, eles chamam de triângulo. Então precisam aprender como realmente se lê cada placa”.

As provas são aplicadas após eles passarem por aulas dentro da Ciretran. “Nós nos encontramos três vezes por semana durante seis meses. Ajudamos estes alunos a terem o conhecimento necessário”, explicou Adriana Ferreira, Chefe de Educação de Trânsito da cidade. Além das aulas, eles recebem material didático.

 

Relacionadas