sábado, 23 de fevereiro de 2019
Trânsito
Compartilhar:

Acidentes com bicicleta já mataram 13 na Paraíba

Aline Martins e Wênia Bandeira / 04 de outubro de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
Por onde se passa, nota-se a presença das bicicletas circulando pelas vias públicas. O uso delas vai desde a ida ao trabalho até ao passeio do domingo. Além de econômicas, são ágeis, contribuem para melhorar a saúde e também o meio ambiente. Em busca de tornar cidades mais sustentáveis, os gestores estimulam o uso das bikes. Desrespeito, imprudência, ausência de equipamentos de segurança (ciclistas) e aumento da frota de veículos são alguns fatores que contribuem para os acidentes. Somente de janeiro a setembro deste ano, 436 atendimentos de vítimas de acidentes envolvendo bicicleta foram registrados no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena (HETSHL) de João Pessoa. Nesse mesmo período, 13 pessoas morreram na Paraíba, sem ao mesmo chegar a ser atendidas conforme o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

Embora no mesmo período do ano passado, a quantidade de atendimentos tenha sido maior (452) no HETSHL, os atendimentos hospitalares ainda são altos.

Para o especialista em mobilidade urbana e presidente da ONG ETEV (Educar para a Vida, Educar para o Trânsito), Luiz Carlos André, dois fatores contribuem para o surgimento dos acidentes: aumento da frota de veículos (carros, motos, bicicletas) e má educação. No entanto, não houve a devida responsabilidade de educar as pessoas no trânsito para o uso das bikes como determina os artigos 74 e 76 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

“A educação para o trânsito deve partir desde a Pré-escola até o Ensino Médio para que os estudantes possam sair das escolas cientes do cumprimento das leis e do comportamento no trânsito”, frisou.

Ainda segundo o especialista em mobilidade urbana, muitos ciclistas, exceto os participantes de pedais que cumprem as normas e se educam, não usam os equipamentos de segurança necessários (capacetes, luzes, entre outros). Como houve o incentivo a trocar o carro pela bicicleta, nem todos a usam adequadamente.

Da mesma forma, o modal de duas rodas até se tornou moda, o que também contribui para o desconhecimento das regras no trânsito. Desde pequeno, Eduardo Ramos, 37 anos, anda de bicicleta.

“Nunca sofri um acidente, pois tomo muito cuidado porque nem todo motorista respeita quem usa bicicleta. Já usei moto e sei como é difícil. A gente precisa ter muita atenção porque é a nossa vida que está em jogo. Se sofrer um acidente, tem motorista que nem socorre”, comentou.

Apesar de não ter nunca se acidentado, Eduardo não utiliza os instrumentos de segurança assim como o operador de máquinas Iranildo Clementino, 41 anos, que já sofreu um acidente quando estava carregando a bicicleta do lado quando subia uma ladeira.

“O carro me jogou na calçada. Fiquei com a dor nas costas e o médico enfaixou. Hoje tenho cada vez mais cuidado. Mesmo com carro, prefiro a bicicleta porque é mais rápida, econômica, não precisa ficar correndo para estacionar. O carro é só para a urgência, para a família”, disse o operador de máquinas.

Mais de 600 atendidos em CG

Este ano, o Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande, já atendeu 619 ciclistas vítimas de acidentes no trânsito, número 7% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. A Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos (STTP) diz que as principais causas são a imprudência e a não aceitação dos motoristas em relação às áreas destinadas às bicicletas na cidade.

“Alguns setores não têm compreensão da importância de áreas destinadas aos ciclistas. A gente tem tido extrema resistência de comerciantes e de motoristas, porque a própria sociedade tem a cultura do carro, enquanto que para a gente, a importância é primeiro pedestre, depois transporte coletivo e só então vem carro”, declarou o superintendente da STTP, Félix Neto.

De acordo com ele, o alto número de acidentes é decorrente de ações de motoristas imprudentes. Félix Neto explicou que as ciclovias e ciclofaixas são invadidas sempre por carros e motocicletas. “Estamos fiscalizando os pontos e está programada fiscalização por meio de câmeras. Sabemos que a população vai reclamar, mas estas invasões fazem com que os ciclistas se inibam da utilização e se exponham ao perigo maior nas ruas”, acrescentou o superintendente. A fiscalização por câmeras está em processo licitatório e deve começar até o fim do ano. Campina Grande conta hoje com uma frota de 169 mil veículos. Félix afirmou que o crescimento continua e vai tornar o trânsito inviável, com engarrafamentos, caso o uso de outros meios não seja incentivado. A maior reclamação é tomada de espaço de estacionamentos.

A cidade tem 30 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas implementados e está estudando a colocação de mais 20 quilômetros. O objetivo é interligar a Avenida Juscelino Kubitschek, que cruza vários bairros, ao Açude Velho, e ainda a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) ao Terminal de Integração, e a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) ao Açude Velho.

Relacionadas