domingo, 24 de janeiro de 2021

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Tatuadores doam trabalho para a Rede Feminina

Bruna Vieira / 18 de maio de 2016
Foto: Assuero Lima
Na Rede Feminina de Combate ao Câncer na Paraíba, 14 tatuadores doaram um dia de trabalho em prol da instituição. Ontem, durante todo o dia, o público pode fazer tatuagens a preços mais baratos que no estúdio. O objetivo é alcançar a renda da primeira edição. No ano passado, foram quase R$ 5 mil arrecadados, segundo a vice-presidente, Graça Brito.

Este ano, os organizadores pretendiam fazer 60 tatuaguens, 20 a mais que no ano passado. Elas são mais simples, como explica Yago Costa. “São nomes, frases e desenhos pequenos, mais rápidos, para termos um volume maior de doações. Cada uma leva entre 30 minutos e uma hora para ficar pronta. É gratificante poder doar o nosso trabalho. É a primeira vez que participo, mas voltarei nos próximos anos. É importante apoiar essa causa, pois, qualquer um pode adoecer um dia. Além disso, a gente mostra que tatuador não é marginal. É uma ação de sensibilização também”, contou o tatuador.

A palhaça Bom Te Vê fez logo duas tatuagens. Mesmo, com lágrimas escorrendo dos olhos, ela disse que não sentiu dor. “É uma dor que não dói, porque é por amor”, disse. O motorista Ilauro Borges uniu o últil ao solidário. “Queria fazer a tatuagem, aqui teve o preço acessível e ainda ajudamos a instituição. A gente contribui, mas, também se beneficia. Essa tatuagem é diferente, porque traz informações úteis, caso eu sofra um acidente: meu tipo sanguíneo e que sou hipoglicêmico. Um médico sugeriu que eu carregasse esses dados comigo, então pensei que a tatuagem era a forma ideal”, disse.

R$ 50,00 era o custo mínimo por cada tatuagem.

Destaques:

“Seria egoísmo não tirar um dia para ajudar as pessoas. É uma causa tão bonita. E um exemplo para outros promoverem ações semelhantes. Se cada um fizer a sua parte, melhoramos a convivência nesta terra” – Allan Jonatas Costa, tatuador.

“A gente conscientiza que é possível ver Deus na arte. Não tem base bíblica que condena a tatuagem. Foi através dos tatuadores que tive contato com a Rede e estou ajudando como voluntário hoje. O trabalho de restauração de aréola traz bem estar às mulheres. A gente vê no rosto delas. Isso é amor ao próximo” – Emerson Marinho, pastor do Ministério Underground.

“Minha primeira tatuagem fiz ano passado aqui, gostei tanto que esse ano farei outra. O mais importante é poder contribuir com a Rede e o Laureano, que precisam” – Neto Quirino, artista plástico.

Rede em tempo integral

Carla Bezerra, gerente administrativa da Rede contou que os pacientes ficam hospedados pelo tempo que durar o tratamento. “Recebemos homens e mulheres. Eles ficam de segunda à sexta-feira. Recebem seis refeições e nós compramos os medicamentos. Eles vem encaminhados pelo Hospital Napoleão Laureano de todos os municípios da Paraíba. Temos outras atividades, como terapia ocupacional, passeio turístico e serestas”, disse.

A vice-presidente, Graça Brito ressaltou a importância da ação. “Temos seis funcionários e uma despesa de R$ 8 mil. Toda ajuda é bem-vinda. E as mulheres que passaram pela reconstrução da mama e desejarem fazer a aréola podem nos procurar, que os tatuadores realizam gratuitamente o serviço nos seus estúdios. Para a gente é maravilhoso. Todos eles tem família, filhos e se sensibilizam com a causa”, afirmou.

20 pacientes é a capacidade de acolhimento da Rede

14 é o número de pacientes hospedados

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