sábado, 26 de maio de 2018
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Sexta extinção já está em curso e vai trazer consequências para os seres humanos

Márcia Dementshuk / 31 de agosto de 2017
Foto: Rafael Passos
Cientistas alertam que está em andamento um processo de grande extinção de espécies de animais na Terra. Um estudo analisou quase metade das espécies conhecidas de vertebrados (27.600) e concluiu que a população de 32% delas (8.851) diminuíram de tamanho entre 1900 e 2015. Informações detalhadas mostram que 177 mamíferos perderam 30% ou mais dos territórios onde habitavam. Diante da magnitude da "aniquilação biológica", os pesquisadores afirmam que estamos vivendo o sexto evento de extinção em massa da Terra.

Estima-se que a Terra existe há 500 milhões de anos. Nesse tempo, houve cinco "extinções em massa" que levaram ao desaparecimento de 75% das espécies. A última ocorreu há cerca de 66 milhões de anos, quando 76% de todas as espécies foram perdidas – o caso dos dinossauros. Entre os motivos estão explosões de vulcões, alterações climáticas e impacto de asteroides.

Além das espécies que já estão desaparecendo, a descoberta atual é que o número de animais que não estão em extinção está diminuindo rapidamente. Sentiremos em cascata as consequências negativas sobre o funcionamento do ecossistema e os serviços vitais para a manutenção da civilização.

Um exemplo prático dado pelo pesquisador Rogério Ferreira, doutorando na Universidade Federal da Paraíba: as sementes depositadas nos solos necessitam de certa condição de umidade do ar e temperatura do solo para quebrar sua dormência e crescer. O que já não está mais acontecendo com muitas plantas, especialmente no Sertão brasileiro, pela degradação da mata que produz este serviço ao ambiente. Quando a mudinha cresce, a árvore dá frutos, purifica o ar, mantém o equilíbrio da temperatura climática, mantém a umidade do solo e protege os lençóis d’água. “Quando os cientistas falam em ‘serviços vitais para a manutenção da civilização’, se referem a isso: a biodiversidade é comprometida. As perdas causadas pelas extinções de espécies, a longo prazo, causam perdas irreversíveis. Compromete o funcionamento dos serviços do ecossistema e acabam os recursos naturais", explicou Rogério Ferreira.

Ao analisar uma grande quantidade de espécies dentro de uma grande área territorial, esse estudo trouxe uma visão geral sobre o problema. Até então, as pesquisas eram restritas, concentradas nos animais em extinção, sem acusar a grandiosidade do evento. Dá uma falsa impressão de que não existe ameaça sobre o habitat da Terra.

Sexta extinção. Causas...

- a perda de habitat;

- a sobre-exploração;

- os organismos invasivos;

- a poluição;

- a toxificação;

- as perturbações climáticas.



Se a extinção fosse da população de São Paulo...

Cerca de oitenta mamíferos do planeta estão com menos de 20% de animais. Imagine que em 1900 a cidade de São Paulo tinha 240 mil habitantes (número arredondado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Se estivesse nesse processo de extinção, a população de São Paulo estaria reduzida a 48 mil habitantes em 2015 (mas, pelo Censo, São Paulo estava com mais de 11 milhões em 2010).

 

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