terça, 18 de junho de 2019
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‘Setembro Amarelo’ tem programação contra suicídio

Aline Martins / 07 de setembro de 2018
Foto: Divulgação
O mês de setembro, que recebe a cor amarela, é dedicado a conscientização e prevenção do suicídio, um do assunto importante e que precisa ser abordado com a população. No País, essa é a segunda principal causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos e a falta de cuidados com a saúde mental está associada em quase todos os casos. Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS) 90% das mortes poderiam ter sido evitadas. É necessário perceber os sinais e buscar ajuda para reverter essa situação. Na Paraíba, 120 pessoas tiraram a própria vida entre janeiro e agosto deste ano, conforme o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Isso representa 15 mortes por mês.

Para alertar sobre esse problema de saúde, várias instituições estão engajadas com ações e palestras nas unidades de saúde e em escolas, tendo em vista a quantidade de casos com o público infanto-juvenil. É necessário entender que o suicídio é um fenômeno complexo que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. Mas que pode ser prevenido. O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) estão com uma campanha na internet com foco nos canais de redes sociais com o objetivo de chamar a atenção da população sobre a importância da prevenção (https://www.campanhasetembroamarelo.com.br/).

De acordo com o psiquiatra, diretor/tesoureiro e superintendente técnico da ABP e presidente eleito da Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL), Antônio Geraldo da Silva, praticamente 100% dos casos estão associados a transtornos mentais. Desses, 36% sofrem um quadro de transtorno afetivo (depressão, transtorno bipolar) e os demais ligados a outras patologias.

“É importante entender que pessoas que se suicidaram têm quadro psiquiátrico. Agora nem todo mundo que pensa em suicídio tem quadro psiquiátrico. Se suicidou a gente tem que pensar imediatamente que tem quadro psiquiátrico”, frisou.

É possível perceber alguns sinais como a mudança de comportamento a partir de um quadro de tristeza, choro e de reclamações da vida, por exemplo. Algumas formas de prevenção é ter uma boa qualidade de vida (praticar exercícios, ter boa alimentação) e evitar o uso de drogas lícitas e ilícitas. O suicídio é multifatorial, ou seja, está associado a vários fatores de risco, incluindo socioculturais, genéticos, filosóficos existenciais e ambientais.

O coordenador de Saúde Mental do município de Cabedelo, psicólogo, especialista em Psicologia Clínica com residência em Terapia Intensiva, Stephano Reis, comentou que o assunto muitas vezes é evitado pela população por estar relacionado à morte. No entanto, destaca que as pessoas que estão sofrendo por algum motivo precisam buscar ajuda e falar sobre o assunto.

“Quando você externa a dor, as pessoas podem te oferecer outras motivações para viver. Tem gente que estabelece apenas uma rota para a vida e quando perde acha que a solução é tirar a vida, mas é necessário que as pessoas tenham em mente que há vários caminhos para seguir”, contou, acrescentando que muitas vezes as pessoas perdem uma das rotas, parece que a vida perde o sentido, porém a vida é multidirecional. “Você precisa ter varias motivações e não ter uma única motivação”, frisou.

Palestras para o público infanto-juvenil

Em Cabedelo, durante este mês, serão realizadas várias ações e palestras em Unidades de Saúde da Família (USF) e escolas, pois o público infantil-juvenil é um dos públicos alvos.

Em João Pessoa, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) está com campanha ‘Vamos quebrar o silêncio’ e busca falar sobre, dialogar e acolher as pessoas.

Ao longo do mês, cada distrito sanitário da rede municipal de Saúde terá um Dia D de atividades com uma programação que inclui rodas de conversa com usuários e profissionais, práticas integrativas e complementares, auriculoterapia e atendimento psicológico com direcionamento para os serviços de atenção especializada ou para o Núcleo Ampliado de Saúde da Família (Nasf), quando necessário. Além das ações que serão realizadas nos dias D de cada território, as Unidades de Saúde da Família e os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) também desenvolverão atividades de promoção à campanha junto a seus usuários e profissionais.

O Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena e o Hospital de Traumatologia e Ortopedia da Paraíba (HTop), em João Pessoa, também aderiram à campanha Setembro Amarelo, cujo principal objetivo é sensibilizar a população sobre a prevenção ao suicídio, alertando a sociedade para a importância do tema. Através da psicologia serão realizadas diversas atividades nas unidades de saúde.

Entre janeiro e agosto deste ano, o Hospital de Trauma atendeu 127 pessoas vítimas de tentativas de suicídio. O número é maior do que o mesmo período do ano passado que foi de 99.

Conforme o Ministério da Saúde, o suicídio no Brasil é responsável por mais mortes do que a Aids e faz mais vítimas do que vários tipos de câncer, sendo a segunda maior causa de mortes na faixa de 15 aos 29 anos, atrás só dos acidentes de trânsito.

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