sábado, 16 de fevereiro de 2019
Segurança
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General defende legalizar drogas

Adriana Rodrigues / 06 de janeiro de 2019
Foto: Rafaela Gonçalves
Um dos principais desafios do novo presidente da República Jair Bolsonaro (PSL) será a adoção de medida para reduzir o mercado ilegal de drogas no Brasil e principalmente investimentos na educação e em campanha de conscientização. De acordo com levantamento apresentado pelo general da Reserva Alberto Mendes Cardoso, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Governo Fernando Henrique Cardoso, fundador da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Secretaria Nacional de Política Sobre Drogas (Senad), o narcotráfico movimenta cerca de R$ 17 bilhões por ano, com captação extremamente lucrativa, e a dinâmica de alimentação do crime penetra em praticamente todas as camadas da sociedade.

Em palestra no 14° Encontro Nacional de Editores, Colunistas, Repórteres e Blogueiros (Enecob), em Brasília, o general Cardoso revelou que venda local de drogas e as rotas internacionais são consideradas as maiores fontes de recursos do crime organizado.

Um dos maiores especialistas no assunto, o general Cardoso cita que os crimes contra empresas e a população também são alternativas de renda do esquema grandioso e transnacional, gerando o sentimento de insegurança constante vivido pela população.

Por isso, ele defende a legalização gradual das drogas no País, começar pelo consumo de maconha, mas só a partir do ano de 2034, depois de uma "intensa campanha educativa", envolvendo todos os entes da Federal. Segundo ele, a medida desestimularia o negócio ilegal e os crimes associados, a exemplo de assassinatos e assaltos.

Segundo ele, a resistência à legalização das drogas parte do conjunto de pessoas beneficiadas por esse bilionário mercado clandestino. "Uma grande quantidade de pessoas envolvida nisso aí não quer nem pensar em legalização porque a lucratividade do seu crime depende muito da situação de ilegalidade da atividade", afirmou, alertando, no entanto, que permitir o comércio de drogas é necessário, mas é preciso cautela. “O primeiro passo é ir com cuidado, porque a medida é irreversível”, alertou.

O general de reserva, que foi o criador do 1º Plano Nacional de Segurança Pública, se mostrou preocupado com o fato de a Senad ficar sob a guarda do Ministério da Justiça, e não mais da Presidência da República, como era em sua época. Para ele, é sinal que a prevenção ao uso de narcóticos não terá a prioridade e o orçamento necessários para um maior enfrentamento.

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