domingo, 28 de fevereiro de 2021

Segurança
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Após tragédia no Lar do Garoto, Fundac realiza operações em centros socioeducativos

Francisco Varela Neto / 12 de junho de 2017
Foto: Assuero Lima
O presidente da Fundac (Fundação de desenvolvimento da criança e do adolescente) na Paraíba, Noaldo Meireles, afirmou que a operação pente fino que aconteceu na manhã desta segunda-feira (12) faz parte das medidas preventivas que estão sendo tomadas no estado, no sentido de melhorar a política de segurança dos centros socieducativos na Paraíba. De acordo com ele, as medidas são também em decorrência da tragédia que aconteceu no Centro Educacional Lar do Garoto, que deixou pelo menos sete internos mortos e outros dois feridos, na madrugada do sábado (3), em Lagoa Seca, na Região Metropolitana de Campina Grande.

Na operação pente fino que aconteceu na manhã desta segunda-feira no Centro Educacional do Adolescente foram encontrados alguns celulares e espetos.

“Essa operação é parte de uma série de medidas preventivas que vem sendo tomadas pela Fundac, não só em decorrência do episodio em Campina Grande, mas como uma política de segurança nas unidades da Fundac. Na quinta-feira da semana passada nós fizemos uma operação semelhante a esta no CSE (Centro Socioeducativo Edson Mota) aqui em João Pessoa e também lá no Lar do Garoto em Campina Grande”, afirmou Meireles.

E acrescentou que por todo o estado também estão sendo feitas operações. “Na semana anterior a gente tinha feito uma lá em Sousa e ai vamos continuar fazendo essas operações Pente Fino para retirar objetos que tenham entrado ilicitamente dentro das unidades e gerar tranqüilidade não só entre os internos, mas também pra todos os servidores”, explicou.

De acordo com o presidente da Fundac, apesar do que aconteceu no Lar do Garoto, o trabalho que vem sendo feito pela instituição está sendo intensivo, mas afirmou que só pode falar do que a Fundac faz.

“A gente só pode falar pela Fundac, pelo que a Fundac anda fazendo. A título de exemplo lá nessa unidade do Lar do Garoto, apesar da conhecida lotação acima da capacidade, a unidade a partir das reformas feitas em 2014 e 2015, tem uma capacidade para cerca de 90 internos, ela tinha 198 no sábado (dia da tragédia), mas lá está tendo aula, estão tendo cursos profissionalizantes, tem uma oficina, uma mini fábrica de tapetes que a gente chama de oficina do tear, e essa é um pouco a nossa parte”, disse.

Segundo Noaldo Meireles também há uma omissão e uma falha por parte dos municípios com relação às políticas socioeducativas para a juventude. De acordo com ele apenas 20 municípios paraibanos são responsáveis por 82% das internações de jovens e adolescentes.

“A gente precisa discutir também a omissão na política com referência aos municípios. Um dado que é importante passar para a população é que 20 municípios do estado da Paraíba ainda são responsáveis por 82% de todas as internações. Só a título de exemplo, o município de Patos, é responsável por mais da metade de todos os internos que estão na regional 3 de Sousa. Pirpirituba que é um município muito pequeno, é o município com maior número percentual de internos no estado da Paraíba. Então há uma falha na política como um todo, e essa falha na política para a juventude e para a criança têm gerado uma serie de internações”, finalizou.


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