segunda, 19 de abril de 2021

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Briga pela água do São Francisco vai parar na justiça

Rammom Monte / 22 de dezembro de 2016
Foto: Divulgação
A decisão da Justiça do Trabalho de suspender de atividades no eixo leste da obra de Transposição do Rio São Francisco desagradou algumas autoridades paraibanas que discordam da paralisação dessa parte da obra. O discurso é de que deveria haver bom senso por parte da justiça para não prejudicar o andamento da construção. Um dos que defendeu esta teoria foi o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB). Para ele, os problemas trabalhistas não podem ser maiores do que o drama da falta de água.

“Eu tenho o maior respeito pelas instituições, principalmente pelo Ministério Público. Mas os homens não são infalíveis. Eu acho que foi um profundo equívoco. Uma coisa é uma empresa ter um ônibus sem tacógrafo. Ela tem que ser multada, punida. Agora, você não pode penalizar a obra. A Paraíba depende desta obra. Não é algo que pode ficar parado. Não tem água, estamos em um processo de racionamento em que, na minha opinião, é injustificável você parar uma obra que representa a sobrevivência da população. Eu gostaria muito que houvesse neste momento bom senso para que as obras fossem imediatamente retomadas. Nós não temos tempo a perder”, disse.

Outro que engrossou o coro e foi na mesma linha de raciocínio, foi o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB). O tucano afirmou que irá acionar juridicamente para que a decisão seja revista.

“Já acionei a procuradoria jurídica do município de Campina Grande. Nós vamos entrar com uma ação, fazendo um contraponto, pedindo exatamente que se reveja esta decisão da justiça do trabalho de Olinda em relação à suspensão das obras da transposição do São Francisco. Na nossa visão, as questões trabalhistas jamais podem superar a questão da preservação da vida. Qualquer problema neste instante, as consequências serão gravíssimas, porque estamos falando da questão da água. Então em relação à vida, a gente tem que fazer a comparação. O que é mais importante? A questão trabalhista, que você pode multar, notificar, punir a empresa, ou a questão da vida, que não tem preço? Nós temos pressa”, afirmou o prefeito.

Um dos principais ativistas e defensores da transposição do Rio São Francisco, o padre Djacy Brasileiro pediu que a Justiça seja ágil para resolver este impasse. “Espero que a justiça seja hábil, ágil no sentido de agir o quanto antes. Se algumas empresas erraram, que sejam punidas, mas a população não pode pagar. O povo não pode esperar por água não, quem tem sede tem que tomar água o quanto antes. A situação é dramática, espero que a justiça seja ágil para que essa pendência seja resolvida e nos possamos beber água do Velho Chico e infelizmente a gente vai ter um natal sem água. Faz mais de 5 anos que temos um natal com sede”, disse.

Secretário tenta acalmar a população

O secretário de Estado dos Recursos Hídricos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia da Paraíba, João Azevedo, foi mais comedido em suas palavras. Para ele, a paralisação é ruim, mas não vai atrasar o prazo final de entrega da obra, já que a suspensão se refere a apenas uma parte da obra como um todo.

“A minha fala é no sentido de tranquilizar a população. É importante que a gente entenda exatamente o que foi que houve na decisão e o que é que ela afeta em termos de execução da obra. O túnel de Monteiro, já está concluída toda a sua escavação. O que está sendo feito neste momento, é o piso do túnel,  por onde efetivamente a água vai correr. Este é um item de serviço dentre o conjunto da obra da transposição. Especificamente, o Ministério do Trabalho verificou uns problemas na execução deste piso com relação a proteção individual dos operários que estavam trabalhando na obra. Então houve a paralisação deste serviço, que é a execução do piso do túnel. O restante dos serviços da obra estão em ritmo normal, sem nenhum tipo de problema", afirmou.

João Azevedo lembrou também os motivos pelos quais a o trecho da obra teve seus trabalhos paralisados. "Basicamente foram problemas encontrados, um com relação ao piso e o outro com relação ao transporte que foi solicitado substituição de alguns ônibus que não ofereciam as condições ideais de transporte de trabalho. Nós já entramos em contato com os consórcios responsáveis e eles já estão trabalhando para recuperar essa condição de voltar imediatamente ao trabalho. Mas é importante dizer à população que o que estabelece o prazo final da obra para chegar a água da transposição não é apenas um item de serviço, o que vai acontecer com este item de serviço agora é que ao invés de terminar agora no dia 30 de dezembro como estava previsto, este serviço vai terminar lá para o dia 15 ou dia 20 de janeiro", explicou.

O secretário esclareceu, ainda, que o que vai definir a data da chegada da água são as estações elevatórias. "O que limita e determina que só a partir de fevereiro ou março, nós vamos ter a água é a montagem das duas estações elevatórias que ainda estão em execução e que levará a conclusão da obra mais a frente. É importante entender que prejudica sim, claro, a execução do piso da obra, entretanto este piso, que está sendo executado, o que vai acontecer é que ao invés de terminar agora em dezembro, vai terminar em janeiro, mas termina antes da montagem das duas estações que é o que estabelece o prazo final para a obra”, falou.

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