sexta, 18 de setembro de 2020

Seca
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Sousa está se precavendo contra a seca

Lucilene Meireles e Fernanda Figueirêdo / 02 de novembro de 2016
Foto: Antonio Ronaldo
Sousa é outra cidade do Sertão paraibano que sofre com a seca mas não tem um plano definido para um possível colapso no abastecimento. O Açude São Gonçalo, que abastece a cidade, alcançou o nível mais baixo do ano e, segundo a Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa-PB), tem pouco mais de 30% de sua capacidade armazenada. Ainda assim, o manancial está suprindo a população.

A Defesa Civil Estadual garante que não há motivo de preocupação. Já o órgão municipal relatou que algumas medidas vêm sendo tomadas para garantir o abastecimento, como a perfuração poços artesianos na zona urbana, e o reforço de carros-pipa na área rural, ações que deverão ser intensificadas se não chover e se a transposição atrasar ainda mais.

Francisco Alves da Silva, coordenador da Defesa Civil do município, afirmou que a primeira providência para evitar o desabastecimento foi a perfuração de poços nos bairros da cidade, custeada pelo município. A prefeitura forneceu caixas d’água para que a população tenha acesso, especialmente em bairros mais carentes, afastados. Alguns chegam a ter três poços.

“Ao todo, foram quase 100 poços perfurados, dos quais metade está funcionando e os outros em fase de conclusão. As 92 comunidades zona rural são abastecidas pelo Exército, por carros-pipa”, disse.

Ele observou que existe ainda a adutora do Pintado, que foi feita emergencialmente para Sousa. “Só que a água vem de Coremas/Mãe D’Água, que está seco. De onde viria água, não tem mais! Tem ainda São Gonçalo, que o pessoal acha que será a opção para Sousa até janeiro. A esperança é a transposição. O problema é que disseram que era para dezembro, passou para janeiro e já mudou para abril”, observou.

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Melhor opção. O coordenador da Defesa Civil acrescentou que os poços são, de fato, a opção que os moradores têm, mas é preciso ordenar a perfuração. “A prefeitura e o Estado teriam que tomar conta disso para não ficar indiscriminado. Hoje não há norma e todo mundo pode contratar uma empresa”, frisou. “Nunca tinha vivido uma situação como essa. Em Sousa, pelo menos até 2010, estava tranquilo. De lá para cá, a situação se agravou”, lamentou.

A dona de casa Maria de Fátima Medeiros, 35 anos, mora no conjunto da Cehap, às margens da BR-230, e conta que na casa dela só chega água de oito em oito dias. “Tenho uma caixa d’água de 500 litros e um tambor de 200 litros. Mas como a família é grande, eu, meu esposo e quatro filhos, seca rapidinho. Quando isso acontece a gente pega a carroça de burro e vai pegar água numa caixa pública que tem aqui no bairro”, disse.

Já o agricultor Ivan Dantas Cardoso, 57 anos, diz que a salvação das plantações é um vazamento da adutora que leva água de São Gonçalo até Sousa. “O vazamento na caixa de registro perto da BR derrama água limpa 24h por dia, eu pelo menos aproveito pra alguma coisa. Alguns vizinhos também pegam água de lá”, explicou Ivan.

Cagepa não distribui. A Cagepa informou que não distribui água no município, apenas capta e trata. A distribuição é de responsabilidade do Departamento de Água, Esgoto e Saneamento Ambiental de Sousa (Daesa). Segundo a Cagepa, é a única cidade do Sertão do Estado que recebe a vazão de mais de 120 litros por segundo - quantidade suficiente para abastecer o município, sem nenhum tipo de racionamento.

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