segunda, 21 de setembro de 2020

Seca
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Seca castiga Patos e “só Deus mesmo para ajudar”

Lucilene Meireles e Fernanda Figueirêdo / 01 de novembro de 2016
Foto: Antonio Ronaldo
Como em Campina Grande, o município de Patos, no Sertão, não tem uma estratégia definida para resolver a falta de água. Segundo o coordenador estadual da Defesa Civil, George Saboia, a esperança é Coremas/Mãe d’Água. “Patos é mais complicado. A cidade vive o racionamento. Se não chover, a situação piora e só Deus mesmo para ajudar. Não haverá condições. Estamos apostando que vai chover. A perfuração de poços é inviável, já que o solo é um cristalino. O problema vai ter que ser resolvido com Coremas/Mãe D’água, que seria suficiente até abril. E até lá, a transposição não chega na zona de Coremas”, afirmou.

Ele ressaltou que está “em contato com o Ministério da Integração Nacional, estudando um plano B para diversas frentes, mas não podemos revelar agora como será”, concluiu.

No entanto, a Defesa Civil do município acredita que perfurar poços e ampliar o número de carros-pipa vai ajudar a manter o abastecimento mínimo. Eduardo Rabay, que coordena o órgão, disse que estava sendo fechado ontem um comitê especial com a tarefa de planejar o plano B. A ideia é atuar no socorro e abastecimento às vítimas da seca. Ele destacou que, a princípio, há um convênio com o Governo do Estado, para perfuração de poços, se não chover, e a instalação de chafarizes nas comunidades.

O governador decretou estado de emergência na região de Patos e a meta da gestão municipal é ter, pelo menos, um caminhão-pipa a mais para abastecer a zona rural. Atualmente, só tem um carro, um dia na semana, já que nos demais este abastece o matadouro público, praças e a zona rural. Ele disse que o plano B inclui também recuperar o que está parado ou quebrado, manter os poços que já existem e perfurar mais alguns. Hoje, conforme o coordenador, são 20 poços coordenados pela Prefeitura, em Patos, mas ele não soube informar quantos são na zona rural.

Apesar de apostar no plano, ele não confirmou se seria suficiente para garantir o abastecimento da população. Rabay explicou que a água dos poços deverá passar por uma análise, feita por profissionais da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), campus de Patos, para confirmar se é apropriada para consumo humano. Tudo será feito com recursos estaduais. Segundo ele, o açude Coremas, que abastece Patos, deve continuar suprindo a zona urbana. Ele acrescentou que, em Patos, está havendo rodízio na parte urbana. Alguns bairros, contam com o fornecimento um dia e três não.

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Carros-pipa. Das 70 famílias que vivem na zona rural de Patos, 30 estão sendo atendidas com carro-pipa. Se o caminhão for de 7 mil litros, só atende 3 famílias por dia, já que a água é utilizada para encher cisternas, afirma o coordenador da Defesa Civil de Patos, Eduardo Rabay. Cada reservatório tem capacidade de armazenar até 16 mil litros de água. Ele disse ainda que o carro-pipa do PAC abastece duas famílias por dia.

Na estação do Jatobá, só é permitido pegar dois carros-pipa por dia; na de Santa Gertrudes, três. Será iniciada a captação em Santa Terezinha, com mais três carros-pipa por dia.

Auxílio de outros açudes

As cidades abastecidas pelo Sistema Coremas Sabugi, segundo o gerente da Cagepa Regional de Espinharas, Maciel Damasceno, recebem complemento hídrico também da Barragem da Farinha e dos açudes Jatobá e Capoeira, todos localizados no município de Patos e com menos de 10 milhões de m³ ou 15% de suas capacidades máximas. Ainda de acordo com Maciel, o termo racionamento é inapropriado para cidade de Patos que, segundo ele, passa por “rodízio de água”.

Damasceno confirmou a tendência do Estado: não apresentou um plano para o colapso que se aproxima. “Nós temos conversado bastante. A água de Coremas dá até março ou até um pouco depois. Se não houver chuvas, vamos pensar em outras formas”, pontuou.

Para a dona de casa Lucineide Lourenço, de 35 anos, moradora do bairro Sete Casas, a ideia de ficar sem água assusta. “Aqui é muito quente. Teoricamente só falta água um dia, mas tem lugar que passa muito mais tempo. Deus me livre de Coremas secar. Peço muito a Deus que ele mande chuva. O sertanejo tem tanta fé que sempre acredita mais em Deus que nesses governos, e afinal, é o mais certo”, disse.

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