quarta, 14 de novembro de 2018
Seca
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Coremas esgota e Mãe D’Água vai para o sacrifício

Wênia Bandeira Fernanda Figueirêdo / 30 de setembro de 2016
Foto: Alberto Gomes Batista/dnocs
O Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs) abriu, ontem, a comporta do Açude Mãe D’Água e fechou a do Coremas, que  está praticamente seco e não tem mais condições  de abastecer os 26 municípios da Paraíba e Rio Grande do Norte que recebiam suas águas até ontem.  Segundo a Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), o Coremas deverá atingir o volume morto no próximo dia 15, quando baixará a 15 milhões de metros cúbicos, impedindo a retirada da água por gravidade.

O coordenador estadual do Dnocs, Alberto Gomes Batista, informou que a comporta foi aberta às 10h de ontem  para a liberação de 3 m³ de água por segundo, com o intuito de abastecer as cidades da Paraíba e Rio Grande do Norte, que recebiam água  de Coremas. “A partir de agora, a água que chegará até essas cidades sairá do reservatório Mãe D’Água direto para o Rio Piranhas e, em seguida, para os rios Piancó e Aguiar. No leito desses rios existem sistemas de captações responsáveis por levar a água até a casa de 418 mil pessoas”, disse o coordenador.

Alberto afirmou ainda que para que o novo processo de distribuição de água funcionasse, foi necessário realizar uma desobstrução no percurso dos três rios, além da instalação de uma caixa de dissipação de energia acoplada a uma tubulação que sai de cima da barragem para seguir o curso da água. “Fizemos a obra emergencial em 40 dias. Para passar pela comporta, a água passa por uma tubulação e cai a uma altura de 3,5m. A caixa de dissipação serve para não haver erosão nessa queda”, pontuou.

A transposição. Todos os reservatórios que fazem parte do eixo norte da transposição do Rio São Francisco, que contempla o Sertão do Estado, vão esperar mais pela água, por causa do atraso da obra. Já no eixo leste (de Monteiro a Itatuba, passando em Boqueirão), a previsão  do Ministério da Integração ainda é que a água chegue no primeiro semestre do próximo ano. Daqui pra lá, é esperar pela chuva.

Além do complexo Coremas/Mãe D’água, os reservatórios Engenheiro Ávidos, em Cajazeiras, e São Gonçalo, em Sousa, também deveriam receber o São Francisco no início do ano, de acordo com o cronograma anterior anunciado pelo Ministério da Integração.

De acordo com Isnaldo Cândido, especialista em Recursos Hídricos - que foi gerente regional de Bacias Hidrográficas da Aesa até 2010 -, o adiamento dos prazos da transposição prejudica todo o Estado, tendo em vista que, exceto o Litoral, nenhuma outra região da Paraíba apresenta capacidade hídrica suficiente para salvar os paraibanos da seca.

O engenheiro civil José Berlan Cabral, da Diretoria de infraestrutura hídrica do Dnocs, disse que os reservatórios de Coremas e Mãe D’água, apesar da demora para serem contemplados com a transposição, estão classificados na “prioridade 1”. “O prazo máximo de execução das obras referentes à recuperação e atualização do sistema formado pelos açudes públicos Coremas/Mãe d’Água é de 16 meses contados a partir da ordem de serviço a ser expedida pelo Dnocs”, disse ele.

No entanto, segundo o presidente da Aesa na Paraíba, João Fernandes, essa nota de serviço ainda não foi expedida, já que o ramal do Piancó é um projeto incorporado ao plano original há pouco mais de um ano e ainda sem planejamento. “O açude de Coremas não estava no roteiro inicial das águas do São Francisco. Foi incorporado depois e deve seguir o trajeto do Rio Piancó para atender além das cidades daquela região, alguns municípios do Rio Grande do Norte. Mas ainda não está definido como isso vai acontecer”, disse.

João Fernandes garantiu que a situação de Coremas estava prevista. “As cidades não irão parar de receber água. Isto porque a comporta de Mãe D’água, que irá alimentar o Canal da Redenção e abastecer as cidades”.

Quinze dos 22 municípios abastecidos por Coremas estão em racionamento, há um ano. “Há cidades que utilizam mais água que outras e, mesmo as águas saindo do mesmo lugar, há sistemas diferentes. Existem cidades que estão com água uma vez por semana e outras mais vezes”, explicou o diretor de Operação e Manutenção da Cagepa, José Mota Victor.

Difícil confiar

“Até Boqueirão, que abastece Campina Grande, corre risco de entrar em colapso. Então, imagine os açudes do Sertão, onde já é naturalmente mais seco. Embora o último documento do Ministério afirme que a água chega ao açude Epitácio Pessoa em abril, já se adiou tanto, que é difícil confiar nessa previsão. Já para as barragens do eixo norte, essa previsão é bem mais complicada, pois a mudança de empresa no setor adia ainda mais a entrega da obra”, Isnaldo Cândido, especialista em Recursos Hídricos.

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