sábado, 18 de novembro de 2017
Seca
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Alunos criam máquina de água: protótipo está sendo exposto na Fetech em CG

Renata Fabrício / 31 de outubro de 2015
Foto: Antônio Ronaldo
Em tempos de crise hídrica, alunos de uma escola de Campina Grande desenvolveram uma máquina de produzir água. O experimento foi elaborado por 12 alunos e dois professores de física e biologia. O protótipo funciona através de um condensador que usa água, sal e álcool para refrigerar o mecanismo e transformar vapor em água própria para o consumo humano. A produção de água gerada depende do tamanho da área de serpentina de cobre.

O protótipo, que custou cerca de R$ 350, gera 750ml de água em um dia. Já um protótipo que custaria individualmente R$ 750, seria capaz de gerar 10 litros de água por dia e matar a sede de uma família de cinco pessoas. O desafio do projeto foi encontrar a combinação para o resfriamento da serpentina de cobre, onde a partir dela foi possível encontrar o ponto de orvalho, que fica entre 15 e 16,5 graus. Esse é o ponto ideal de condensação da água.

Para o professor mestre em Ciência e tecnologia Ambiental, Ronaldo Justino, o protótipo é a solução para disponibilizar água potável e de qualidade para pessoas de regiões com restrição de água, como cidades do Seridó e Cariri do Estado.

“O projeto é um plano piloto, mas a intenção é aprimorar o dispositivo para ser disponibilizado para uma ONG distribuir em regiões de carência de água. Para nossa realidade, nos resta adaptar essa questão da restrição de água. Não resolve o problema, mas coloca água potável disponível para as pessoas. Às vezes se tem água, mas não se tem nos padrões de potabilidade. No nosso dispositivo, a estratégia é minimizar os efeitos da água nesse período de estiagem. Auxiliaria bastante nas regiões do Cariri e Seridó, que mais sofrem com a seca.

FUNCIONAMENTO DA MÁQUINA DE ÁGUA

O estudante Henrique Castro de Arriel, 16, explica que a máquina é composta por quatro partes principais, o conservador, o reservatório, o refrigerador e um forçador. São várias etapas até a máquina produzir água.

Etapa 1: “No reservatório contém fluido composto de água, álcool e sal. Os três compostos servem para refrigerar o mecanismo. Os elementos foram pensados porque têm baixo valor especifico o que significa que a energia necessária para variar a temperatura é mais baixa. A água foi adicionada apenas por questão de segurança, pois o álcool é um produto extremamente inflamável”.

Etapa 2: “Ao lado, são ligadas placas de Peltier, dois metais ligados a um circuito elétrico, que faz com que um lado esquente e outro esfrie. A parte que esquenta está acoplada a um escoador que vai dissipar o calor para não afetar o rendimento do protótipo. E a parte que esfria é acoplada ao reservatório para refrigerar o fluido. Por meio de uma bomba o fluido do reservatório será bombeado até o condensador (os tubos de cobre). E na superfície de contato com a área, irá ser resfriado até o ponto de orvalho”.

Etapa 3: “Esse tubo de cobre será resfriado até essa temperatura e permitirá a condensação da água, que é a transformação de vapor, água presente na atmosfera, em água liquida, própria para consumo. Voltando por uma mangueira, ele irá passar por um forçador (conjunto que tem a função de refrigerar mais ainda o fluido). Esse forçador servirá para refrigerar mais o fluido, que foi esquentado durante o processo, permitindo que ele atinja a temperatura de orvalho. Depois ele voltará ao reservatório, permitindo o perfeito funcionamento do protótipo”.

RACIONAMENTO

A partir de hoje o racionamento será ampliado para 84h semanais. A determinação para ampliação do racionamento foi feita pela Agência Nacional das Águas, e o sistema adutor que abastece Campina Grande e mais 18 cidades, dois distritos e um povoado será desligado ás 17h de hoje, e ligado às 5h de quarta-feira.

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