domingo, 15 de setembro de 2019
Seca
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Água da transposição demora e abastecimento no Boqueirão preocupa autoridades

Ainoã Geminiano / 13 de abril de 2017
Foto: Divulgação
Choveu muito nos últimos dias, em todas as regiões da Paraíba, o que poderia acelerar a chegada da transposição ao açude de Boqueirão. Mas, o presidente da Agência de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), João Fernandes, disse que está preocupado com o abastecimento de Boqueirão, por conta da instabilidade do sistema de bombeamento em Sertânia (PE), que faz a água do São Francisco subir a serra, para seguir por gravidade até Monteiro e o restante do eixo Leste. Nos últimos três dias, a vazão da elevatória EBV6 (Sertânia-PE), caiu de 7,45 m3/s para 5,8 m3/s. Com isso, apesar das chuvas e da cheia do rio Taperoá, a previsão da chegada da transposição acaba sendo para o dia 25 deste mês, segundo a Aesa.

Uma das regiões onde houve chuva forte foi no Cariri paraibano, justamente onde as autoridades têm maior interesse que chova, para acelerar a água da transposição. O rio Taperoá já tem volume de água perto de sangrar. Com isso, a água sairá em direção a Cabaceiras, onde encontra o leito do Rio Paraíba, por onde vem a água do São Francisco. "A chuva no Cariri ajudou a água da transposição a chegar em Jacaré, uma comunidade perto de Barra de São Miguel. Ontem à tarde, a água estava exatamente em Riacho Fundo, no início da bacia de Boqueirão, mas ainda distante de Campina. A natureza tem nos ajudado muito, mas essa instabilidade na vazão prometida pelo Governo Federal, lá em Monteiro, atrapalha a programação", disse o presidente da Aesa, João Fernandes.

O presidente se refere ao volume que é bombeado da estação elevatória EBV6, que fica em Sertânia (PE), onde já houve um problema, no dia em que a água chegou a Monteiro, com a queima de uma bomba. "Há três dias a vazão sofreu uma queda considerável e eu já acionei os técnicos de infraestrutura do Estado, para irem lá verificar o que aconteceu, senão vamos ter problemas. A preocupação é porque sabemos que os meses que mais chovem é marco e abril. O ideal é que a transposição chegue nesse período, porque não sabemos se teremos chuvas depois", explicou João Fernandes.

O risco previsto pelo presidente da Aesa, caso a vazão de Sertânia não seja regularizada, é que Boqueirão não consiga ficar cheio, mesmo após a chegada da transposição. "Não estou criticando a transposição, mas sabemos que, a água entrar na Paraíba com uma vazão de 9m3/s, só chega 6 a Boqueirão. E se essa vazão for de 4m3/s ou 3m3/s? Vamos receber 1 m3/s, que equivale a mil litros e retirar 850 litros para o abastecimento da cidade, que a capacidade atual de retirada. Vai sobrar muito pouco. O açude vai encher quando assim, se já tiver passado o período de chuvas?", questionou João Fernandes.

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