quinta, 06 de maio de 2021

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Seca domina 70% dos municípios paraibanos

Luís Eduardo Andrade / 28 de julho de 2018
Foto: Antonio Ronaldo
A seca já atinge mais de 70% da Paraíba, praticamente todo o estado. Dos 223 municípios do estado, 160 apresentam seca moderada ou grave. Enquanto isso, apenas 63 cidades estão em uma condição de vegetação favorável, ou seja, não estão sofrendo com a estiagem.

O atual mapa da cobertura vegetal do estado, obtido através de monitoramento por satélite, realizado pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), em parceira com o site www.letrasambientais.com.br.

De acordo com a atual imagem de satélite de cobertura vegetal, a maioria dos municípios do estado apresenta a ocorrência de seca grave. A estiagem ocorre, de forma mais grave, nas microrregiões do Cariri, Seridó e Catolé do Rocha.

Apenas em alguns municípios do Leste do estado, incluindo a Zona da Mata e parte do Agreste, a vegetação está verde, ou seja, as condições climáticas continuam favoráveis e a seca ainda não atingiu a vegetação.

A imagem de satélite da cobertura vegetal da Paraíba, de maio deste ano, mostrou como as chuvas registradas no estado, no período de fevereiro a maio (estação chuvosa), permitiram uma rápida recuperação da vegetação da caatinga. Naquele período, apenas municípios do Cariri, uma das áreas mais secas do Brasil, assim como da microrregião do Catolé do Rocha, continuaram secos. Praticamente todo o mapa da Paraíba ficou verde, com o expressivo volume de chuvas registrado este ano.

O período da estação chuvosa na Paraíba, bem como em todo o Semiárido brasileiro, terminou em maio. A partir de então, as secas se espalharam por toda a região.

Paraíba é o terceiro mais seco do Nordeste

No período de 2013 a 2016, a Paraíba foi o terceiro estado do Nordeste a registrar maiores proporções de municípios atingidos pela seca (91,9%), ficando atrás somente do Ceará (97,8%) e do Piauí (93,8%). É o que mostra uma pesquisa divulgada no último dia 05 de julho, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sobre o Perfil dos Municípios Brasileiros (Munic).

O estudo também chamou atenção que, durante o período, ocorreu algum evento de seca em praticamente metade dos 5.570 municípios do País (48,6%), totalizando 2.706 municípios a registrarem esses eventos climáticos. Apesar do dado alarmante, a maioria dos municípios afetados pela seca no Brasil (59,4%) não conta com um instrumento orientado à prevenção de desastres naturais e apenas 14,7% tem um plano específico de contingência e/ou de prevenção à seca.

A região Nordeste, conhecida pelas secas frequentes, intensas e com profundos impactos socioeconômicos, apresentou a maior proporção de municípios afetados pela seca (82,6%). Esses eventos climáticos muitas vezes tomam proporções de desastre natural, em função da gravidade dos impactos sociais, econômicos e ambientais.

O mapa abaixo mostra que a seca já atinge quase todos os municípios do Semiárido brasileiro, com exceção das áreas de Zona da Mata, na Costa Leste do Nordeste, onde a vegetação está verde e ocorre, no período de abril e julho, a estação chuvosa.



Seca causa danos e prejuízos

Segundo um Relatório do Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia e Defesa Civil (Ceped), no período de 1995-2014, o total de danos materiais e prejuízos (públicos e privados) causados por desastres naturais derivados de eventos climáticos no Brasil foram estimados em R$ 100 bilhões. Deste total, cerca de 75% estão diretamente vinculados às estiagens e secas, a afetarem, frequentemente, o Nordeste e as demais regiões do Brasil.

No Nordeste, o valor total de danos e prejuízos públicos e privados, derivados de eventos climáticos, foi cerca de R$ 47 bilhões, no período 1995-2014. O valor inclui o total de prejuízos privados na agricultura, pecuária, indústria e serviços.

O estado da Paraíba ocupa o quinto lugar (6%) como um dos mais impactados e submetidos a maiores prejuízos na região, ficando atrás da Bahia (28,8%), Ceará (22,2%), Pernambuco (16,2%) e Piauí (16,1%).

O papel dos gestores

As ações mais comuns adotadas pelos municípios atingidos pela seca no Brasil, para evitar ou minimizar os danos causados pelo evento climático, são de caráter emergencial: a construção de poços (59,5%) e a distribuição regular de água, através de caminhões-pipa (58,1%).

Dessa forma, a pesquisa do IBGE chama atenção para a falta de capacidade institucional dos municípios brasileiros para lidarem com o constante risco de ocorrência de secas. O panorama é crítico para os estados do Semiárido, incluindo a Paraíba, com forte potencial para a ocorrência de seca, que pode tomar proporção de desastre natural, em um cenário socioeconômico e ambiental vulnerável.

É necessário, todavia, atuar no planejamento de ações para a convivência com o Semiárido, utilizando informações seguras de monitoramento da seca, evitando maiores prejuízos aos setores econômicos e à população do estado.

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