terça, 19 de novembro de 2019
Saúde
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Zika e chikungunya ainda são graves e pesquisas na Paraíba precisam de investimentos

Rammom Monte / 11 de outubro de 2016
Foto: Nice Almeida e vídeo de Mislene Santos
Zika e chikungunya matam e é preciso estar atento às doenças provocadas pelos vírus que estão longe de serem extintos. Esse é o alerta da médica paraibana Adriana Melo, que foi a pioneira a relacionar o zika vírus à microcefalia. Ela foi a entrevistada desta terça-feira (11) do programa Correio Debate, da rádio 98 FM/Correio Sat. As pesquisas continuam e necessitam ser desenvolvidas, porém é preciso um fato chave para que isso aconteça: investimento.

“A gente sabe que o Brasil tem memória curta. As crianças pararam de nascer com microcefalia desde março, mas não acabou. O zika, assim como a dengue, tem épocas do ano em que acontece. Em Campina Grande, por exemplo, no ano passado, essas doenças chegaram em maio, junho e julho. Os bebês começaram a nascerem  novembro, dezembro e janeiro, foram os picos. Em janeiro começamos a observar que tem mães doentes novamente. Então a previsão é que a partir de setembro voltemos a ter novos casos de microcefalia. Como diminuiu os casos de nascimento, a população acha que acabou, que não vai nascer mais. O ciclo é assim. É claro que este ano teremos menos casos. Com vírus não se brinca. Tem tempo ainda, vamos pesquisar , antes de se transformar em uma grande catástrofe”, alertou.

Porém, para se fazer pesquisa é necessário investimento. E é exatamente aí que a doutora Adriana e os outros médicos estão enfrentando sérios problemas. Segundo ela, as verbas são poucas, sendo necessário que os pesquisadores precisem tirar dinheiro do próprio bolso para custear as pesquisas.

“A gente está no momento como foi no ano passado, uma doença que o mundo não conhecia e que precisava de recursos para descobrir. A gente está fazendo pesquisa por amor, a maior parte dos pesquisadores, estão falidos psicologicamente e financeiramente. Este mês estourei meu cheque especial. Nosso sonho é fazer pesquisa para a mãe e o bebê, dando assistência para estas mães, vai precisar cada vez mais investir. A gente não tem tido muito contato com o governo do estado. É uma iniciativa de uma ONG, que trabalha com pesquisa há sete anos. O Zika não caiu na mão de algum aventureiro. Eu pegava minha clínica privada e fechava para fazer pesquisa com os nossos aparelhos. Mesmo assim, conseguimos publicar vários artigos em revistas internacionais”, disse.

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Adriana falou também que a sociedade tem uma espécie de dívida com as primeiras mães que ajudaram na pesquisa, doando sangue, permitindo serem estudadas, para que novas mulheres e bebês não passassem pelo o que elas passou. E informou também que há como a sociedade contribuir para isto, através de doações.

“E estas mães? As primeiras mães não tiveram oportunidade de usar repelentes. O que a gente deu em troca? A mesma sociedade que recebeu delas a resposta. A sociedade deve a estas mães. Não custa fazer doações. A gente tem duas opções, uma é através do site www.ipesq.org.br. Você vai lá e vai encontrar três maneiras de doar. A outra forma é ligar  para a Energisa pelo número 08000830196,  e com o número do CDC, autoriza vir na sua conta um valor  mais que você escolher. Este dinheiro está sendo usado e estamos sendo fiscalizados por uma comissão externa”, pediu.

Riscos da chikungunya

Após descobrir a relação entre o zika e a microcefalia, Adriana agora já começou a pesquisar sobre a chikungunya. Segundo ela, a chikungunya é muito mais grave entre adultos, podendo ocasionar até em mortes.

“Vamos começar uma pesquisa da chikungunya. A gente viu três bebês recentemente em que o bebê nascia bem, mas que a mãe estava com chikungunya no momento do parto. Eles nasceram, foram para casa e quatro dias depois tiveram crises convulsivas. Infelizmente um deles não resistiu e morreu. Não podemos baixar a guarda. Já foi comprovado este achado. O zika vírus deu a repercussão por conta da microcefalia. A chikungunya para adultos é pior, estão morrendo idosos, ocasionando artrites. A dor do corpo é muito forte e pode perdurar por 5, 10 anos, já teve perda de movimento. A gente precisa de ajuda, de verba para pesquisa para entender essas doenças, não entende se não estudar, não existe tratamento sem estudos. Hoje estamos com dois grandes problemas, a dengue ficou ate pequena em relação à zika e à chikungunya”, finalizou.


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