terça, 16 de julho de 2019
Saúde
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Volta às aulas acende sinal de alerta para miopia

Lucilene Meireles / 09 de fevereiro de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
As férias acabaram e agora é hora de retomar a rotina das aulas. Nesse retorno, porém, um dos problemas enfrentados por alguns estudantes é a dificuldade de enxergar o que o professor escreve na lousa ou apresenta nas videoaulas. É a famosa miopia que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) deverá afetar 52% da população mundial em 2050 e que, conforme o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) é a campeã entre as crianças em idade escolar. O CBO estima que cerca de 20% delas têm alguma deficiência na visão, entre elas, a miopia.

“A miopia é um distúrbio da retração e, nos congressos mais atuais, o aumento de casos tem sido bastante associado ao uso prolongado de smartphones, tablets por crianças e adolescentes. Nas que já têm miopia, esse uso predispõe à elevação do grau. Em quem não tem, predispõe ao aparecimento”, alertou a oftalmologista Aganeide Castilho Palitot, professora de Oftalmologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), coordenadora de residência médica em oftalmologia da Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança (Famene) e membro do CBO.

Segundo a médica, o excesso de tempo na frente da telinha pode gerar o problema, atrapalhando o rendimento do aluno durante as aulas e comprometendo o aprendizado, se não for diagnosticado cedo.

“Nos congressos, discutimos a periodicidade do uso durante o dia, e os pais devem estar atentos, porque a criança tem dificuldade de observar as letras na lousa e mais facilidade de ver de perto”, explicou. Outro sintoma que deve ser considerado é a dor de cabeça.

Primeiro exame. A orientação da especialista Aganeide Castilho Palitot é que os pais levem os filhos anualmente a partir do início da vida escolar. Ela explicou que é preconizado o teste do olhinho nos recém-nascidos, mas orienta-se também o exame periódico anual nos pequenos em idade escolar.

Atualmente, se preconiza realizar o primeiro exame o mais cedo possível. O ideal, conforme a oftalmologista, é que, depois do teste do olhinho, assim que tiver alguma atividade de leitura, já deve ser feito o exame de rotina. “É uma forma de prevenção e também de descobrir outras patologias”, ensinou.

Desde a infância. A estudante Marina Dias tem 15 anos e desde os 8 usa lentes corretivas por conta da miopia que já ultrapassou 3 graus. “Faz tempo que uso óculos e tudo começou com muita dor de cabeça. Como meu pai é oftalmologista, logo imaginou que poderia ter alguma relação com problema nos olhos. Fiz o exame e foi diagnosticada a miopia”, contou.

Ela segue o que recomenda a oftalmologista Aganeide Castilho Palitot, realizando o exame anual para acompanhar a situação. “Tenho muita dificuldade e, com certeza, a falta das lentes pode interferir no aprendizado. A miopia impede enxergar direito o quadro, os slides”, relatou a estudante que reveza o uso de óculos com lentes de contato.

PNE atende alunos da rede pública



O Programa Saúde na Escola (PNE), realizado em parceria com o Governo Federal, atende mais de 80 mil alunos da rede municipal de ensino de João Pessoa. Ele propõe ações na perspectiva de atenção integral à saúde de crianças e adolescentes dentro das escolas públicas e unidades básicas de saúde.

Atualmente, o PNE beneficia cerca de 80.400 alunos da Rede Municipal de Ensino de 89 escolas do Município, 57 escolas da rede estadual e 75 creches de João Pessoa, com 160 Equipes de Saúde da Família realizando os atendimentos. Os cuidados com a visão estão incluídos nessas ações.

A responsável técnica pelo Programa Saúde na Escola em João Pessoa, Jane Morais, explicou que a iniciativa prevê ações para acompanhar as condições de saúde dos estudantes por meio de avaliações e orientação, fortalecendo o enfrentamento das vulnerabilidades que possam comprometer o pleno desenvolvimento escolar.

“Através dessa interação entre educadores e profissionais de saúde é possível potencializar a proteção e o cuidado com a saúde das crianças e adolescentes”, afirma.

A partir do Programa Saúde na Escola são oferecidos serviços e trabalhados temas como atualização do calendário de vacinas das crianças e adolescentes; detecção precoce de problemas de hipertensão arterial; realização de avaliações oftalmológicas, nutricionais e em saúde bucal; ações de segurança alimentar e promoção para a uma alimentação saudável; promoção de atividades físicas; educação sexual; prevenção ao uso de álcool, cigarro e outras drogas; promoção de cultura, paz e prevenção de violência.

Sinais de problemas de visão em crianças



Até 2 anos:

- Não reage a estímulos luminosos como, por exemplo, a luz do quarto que se acende.

- Lacrimeja excessivamente de um ou ambos os olhos

- Fica muito tempo com os olhos fechados.

- Não demonstra interesse pelo ambiente à sua volta.

- Não ergue a cabeça para tentar ver objetos (brinquedos, por exemplo).

- Apresenta um ou ambos os olhos desviados para o nariz ou para fora.

- Reflexo luminoso na pupila como se fossem “olhos de gato”.

- Pupila muito grande ou de cor acinzentada ou opaca.

Dos três aos cinco anos:

- Apresenta um ou ambos os olhos desviados para o nariz ou para fora.

- Cai com frequência.

- Se aproxima muito da TV para assistir

- Inclina a cabeça para um dos lados ou para um ombro

- Vira um dos olhos para fora quando está distraída, pensativa ou em locais muito abertos

- Fecha um dos olhos em locais ensolarados.

- Coça muito os olhos, especialmente quando manipula o celular ou assiste TV.

- Queixa-se de visão dupla ou embaralhada.

No início da alfabetização:

- Faz careta ou franze a testa para enxergar.

- Queixa-se de dor ou cansaço nos olhos e dor de cabeça.

- Os olhos ficam vermelhos quando esforça a visão, mesmo sem coçá-los.

- Refere dificuldade em ver o que está escrito na lousa.

- Chega o rosto muito próximo ao caderno ou livro.

- Apresenta baixo rendimento escolar.

- Desinteresse na sala de aula.

- Não participa de atividades esportivas.

- Tem dificuldade em distinguir ou combinar cores.

Fonte: Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista do Instituto Penido Burnier.

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