quarta, 20 de janeiro de 2021

Saúde
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Vírus Sincicial: o que é e porque ele mata

Lucilene Meireles / 13 de março de 2017
Foto: Divulgação/ Ilustração: Aline Melo
Você já ouviu falar no Vírus Sincicial Respiratório (VSR)? O nome é estranho, mas ele é bastante comum e, até o final do terceiro ano de vida, todas as crianças já terão tido contato. Entre as viroses respiratórias analisadas em um estudo inédito realizado na região Nordeste e coordenado pelo pediatra Ricardo Gurgel, constatou-se que a média de prevalência do VSR foi de 40,2%. Na Paraíba, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB) não registrou casos desde 2009, ano em que surgiu a vigilância epidemiológica, durante a pandemia de Influenza. Porém, contabiliza dois óbitos de idosos em 2016.

Gurgel, que é professor Associado do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, da Universidade Federal de Sergipe, destacou que o quadro varia entre os sintomas de um resfriado simples a situações de tosse e chiado. Porém, nos prematuros e crianças no primeiro ano de vida, o risco é maior, segundo o estudo ‘Prevalência, Fatores de Risco, Índices de Codetecção e Sazonalidade de Vírus Respiratórios em Crianças com Infecções no Trato Respiratório Inferior no Nordeste do Brasil’ (Previne).

Apesar de ser comum, o médico ressaltou que não é necessária a sua identificação etiológica rotineira, que seria através de um exame mais sofisticado e caro. “Por isso, muitas vezes, dizemos que a criança foi acometida de uma ‘virose respiratória’, sem podermos dizer qual foi a etiologia específica. Por isso, às vezes, as pessoas podem não conhecer o nome do vírus”, observou.

Segundo ele, em bebês e crianças no primeiro ano de vida, o VSR corresponde a mais do que o dobro do segundo vírus mais frequente, o rinovírus, um dos principais causadores de resfriados comuns. Para bebês prematuros, com doenças cardíacas congênitas ou doenças pulmonares, o vírus pode ampliar o tempo de hospitalização e de permanência em unidades de tratamento intensivo, devido aos problemas respiratórios mais graves. Além disso, o VSR é também responsável por internações constantes de prematuros, ou seja, três vezes mais do que bebês nascidos a termo.

Sintomas e prevenção

O quadro clínico é bastante variável e vai desde quadros leves, lembrando um resfriado comum, até mais graves como bronquiolite e pneumonia. Esses dois quadros, conforme o pediatra Ricardo Gurgel, se caracterizam pela ocorrência de tosse produtiva e persistente, cansaço progressivo e chiados no peito.

“Normalmente a gravidade da infecção está relacionada com a idade, quanto menor a criança maior o risco de desenvolver complicações. Pode ocorrer mais de uma vez em cada pessoa, mas em geral, a primeira infecção é a mais grave. A longo prazo, uma das suas consequências mais comuns é o chiado recorrente no peito, que pode perdurar até os 13 anos de idade”, ressaltou.

Não existem vacinas contra o VSR, mas há uma imunoterapia (anticorpo monoclonal específico contra o VSR - palivizumabe) que previne as formas graves da doença nas crianças que são mais susceptíveis aos quadros graves, que são os prematuros extremos, com menos de 29 semanas de gestação, cardiopatas congênitos e com doenças pulmonares precocemente identificadas (displasia broncopulmonar, mucoviscidose).

“A imunização contra o VSR é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para os bebês prematuros durante o primeiro ano de vida, assim como para bebês com pneumopatias e cardiopatias congênitas, até os dois anos de idade, como recomenda calendário de imunização específica, já editado pela Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Imunização”, disse. “Felizmente a mortalidade pelo VSR é baixa, e quando ocorre, está relacionada a outras complicações da prematuridade ou uma inadequada assistência médica”, disse. No Norte e Nordeste, o vírus circula de fevereiro a maio. Já nas regiões Sul e Sudeste, de março a julho. “Desta maneira devemos proteger nossas crianças imunizando-as durante a estação do VSR, que varia de região para região”, ensinou.

“A correta imunização, feita durante os 5 meses de maior circulação do vírus, com as doses mensais preconizadas consecutivas, é capaz de evitar em até 70% as formas graves da doença e, consequentemente, a hospitalização” - Ricardo Gurgel, pediatra.



Medidas Preventivas Recomendadas

Lavar as mãos com frequência;

Usar lenços descartáveis, em caso de tosse e coriza;

Manter a casa arejada e as superfícies de objetos limpas;

Evitar ambientes fechados e fumaça de cigarro na presença da criança.

*Fonte: Ricardo Gurgel, pediatra.

Sem registro de casos em bebês na Paraíba

A SES-PB não registrou nenhum caso de VSR, com base na avaliação do banco de dados de 2009, quando houve a pandemia para o vírus Influenza, até 2016. Este ano, até 10 de fevereiro, também não houve nenhum caso.

Através da assessoria de comunicação, a SES ressaltou que a Vigilância Epidemiológica surgiu a partir da pandemia de 2009 para Influenza, não sendo possível informar dados aos anos anteriores. Em 2016, foram dois óbitos de adultos confirmados pelo VSR, sendo um com 74 anos, morador de Bayeux e o outro com 75 anos, residente em João Pessoa.

Em relação à vacina, a Secretaria informou que não é ofertada pelo SUS e não há informações sobre a imunização.

Critérios de inclusão

A incorporação do Palivizumabe foi aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS (Conitec) para a prevenção da infecção pelo VSR de acordo com os seguintes critérios:

- Crianças com menos de 1 ano de idade que nasceram prematuras com idade gestacional menor ou igual a 28 semanas.

- Crianças com até 2 anos de idade com doença pulmonar crônica ou doença cardíaca congênita com repercussão hemodinâmica demonstrada.

*Fonte: Ministério da Saúde.

 

 

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