terça, 19 de novembro de 2019
Saúde
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USFs de JP funcionam em condições precárias; faltam dentista, curativos e medicamentos

Lucilene Meireles / 30 de maio de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
Algumas Unidades de Saúde da Família (USFs), em João Pessoa, estão sem condições de prestar atendimento à população. Após matéria publicada na última sexta-feira, dia 26, pelo Jornal Correio da Paraíba sobre a Unidade da Cidade Recreio, no Portal do Sol, onde instrumentos para coleta de exame citológico estavam guardados junto a materiais de limpeza, uma comissão de vereadores da bancada de oposição ao prefeito Luciano Cartaxo resolveu visitar cinco USFs e as constatações foram desanimadoras.

A visita começou pela unidade citada na reportagem e, ao final das inspeções, a comissão se comprometeu em elaborar um relatório que será encaminhado semana que vem ao Conselho Regional de Medicina (CRM), Conselho Municipal de Saúde e Ministério Público da Paraíba (MPPB).

Na USF Colibris II, no bairro José Américo, o acesso é difícil, falta dentista há mais de um ano, não tem vacinação e nem marcação de exames. De acordo com o vereador Bruno Farias, o caos maior foi na Unidade de Saúde da comunidade Bela Vista, no bairro do Cristo. Ele relatou que, de quatro médicos que deveriam estar no local, só havia um.

“Os consultórios estão imprestáveis, com goteiras, infiltrações, fungo. A sala de curativo está precária e sem condições. Faltam medicamentos básicos como dipirona e antiinflamatórios, inclusive na USF do Esplanada. No Cristo, não havia soro e o tensiômetro estava quebrado”, relatou.

Além disso, o prédio do bairro Esplanada, que abriga quatro USFS, dois consultórios odontológicos estavam fechados. “Um cenário de guerra”, resumiu o vereador. Das unidades visitadas, segundo ele, a USF da Penha apresentava melhor condição, mas não havia dentista no momento da visita.

“Não há condições de trabalhar diante desta situação”, afirmou a enfermeira Kalina Macedo, que atende na USF Colibris II. Segundo ela, os funcionários foram informados de que um novo prédio será construído para instalar a USF, mas não sabia de prazos.

“Quando chove, há infiltrações. Temos medicamento e realizamos atendimento. A comunidade não fica desamparada, e a prefeitura ofertou um outro prédio aqui no bairro enquanto aguardamos a construção do novo”, declarou. A médica da unidade, Maria das Graças de Aguiar Marsicano, disse que a equipe tenta fazer o possível para prestar um bom atendimento.

“Na Unidade da Cidade Recreio, há médico, dentista e seis agentes de saúde, mas a reclamação de falta de medicação é constante. Não há farmácia e também não é feita a marcação de exames. A acessibilidade é ruim e falta material para procedimentos como curativos. Além disso, embora seja feita a coleta para exame citológico toda segunda e sexta-feiras, os utensílios ficam misturados com material de limpeza em um armário”, observou. Ele disse que a intenção da comissão, com as visitas, é mostrar à sociedade a qualidade do serviço de saúde prestado à população.

“Vamos levar ao prefeito e encaminhar aos órgãos legais como Conselho Municipal de Saúde, CRM e Ministério Público”, completou.

CRM aguarda denúncias. O presidente do Conselho Regional de Medicina, João Medeiros, disse que vai aguardar o relatório sobre a situação das USFs verificada pela comissão de vereadores. Só então, vai estabelecer um prazo para visitar as unidades. Ele explicou que a fiscalização do CRM tem sido feita a partir de denúncias ou aleatoriamente.

“Com base na denúncia vamos fiscalizar. A partir do que for constatado, quando é feita fiscalização do CRM, o responsável elabora também um relatório mostrando as irregularidades e sugere mudanças. Estipulamos um prazo para que seja corrigido. Quando o problema é muito grave, nós interditamos. Em Santa Rita, foram 20 unidades, inclusive por não ter médico. Tentamos corrigir, mas em último caso, entramos com interdição ética”, declarou.

Prefeitura responde

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) da capital informou, por meio da assessoria de comunicação, que “está trabalhando para solucionar os problemas pontuais encontrados nas Unidades de Saúde da Família (USF) e destaca que permanece atendendo diariamente à população que utiliza o Sistema Único de Saúde (SUS)”. A assessoria lembrou ainda que, atualmente, 92,6% da área de João Pessoa têm cobertura de equipes da Saúde da Família, sendo ao todo 194 equipes distribuídas em 100 unidades.

 

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