terça, 24 de novembro de 2020

Saúde
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Uma fonte de vida chamada leite materno

Aline Martins / 01 de agosto de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
Toda criança deve ser amamentada exclusivamente do leite materno até os seis primeiros meses de vida, segundo recomenda a Organização Mundial de Saúde (OMS). No entanto, dados do Ministério da Saúde mostram que somente 60% dos bebês recebem unicamente o alimento no final do primeiro mês de vida. Esse percentual cai para 25% ao completar quatro meses e chega a apenas 10% no sexto mês. O ideal é que nesse período seja 100% apenas leite materno. Essa queda está relacionada muitas vezes a falta de informação da mulher quanto à importância de amamentar o filho, mas também a falta de apoio de familiares a insistir nessa alimentação. A amamentação é a melhor maneira de oferecer o alimento necessário para o crescimento saudável e desenvolvimento dos bebês. O leite materno previne contra diversas doenças agudas e crônicas. De hoje até sexta-feira (01 a 05/08) acontece a Semana Mundial de Aleitamento Materno em todo o País. Na Paraíba, há uma programação em vários municípios.

Há uma série de motivos que levam a mãe a deixar de amamentar exclusivamente o seu bebê com leite materno. Um deles seria acreditar que nos primeiros meses de idade é fraco e não satisfaz a criança. Segundo o diretor técnico do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros e responsável por editar por três vezes o manual de aleitamento materno da Febrasgo, o professor doutor Corintio Mariani Neto, algumas mães foram ensinadas que se deve mudar o lado da mama na mesma mamada a cada dez minutos. Ele explicou que o leite inicial da mama é mais diluído e aguado, o que não satisfaz a criança. “Passado alguns minutos começa a vir o leite lá de trás que está sendo produzido agora, o leite posterior, que é muito rico em gordura e aí satisfaz a criança”, comentou, destacando que nesse momento alguns familiares ou amigos, por desinformação, acabam orientando à mulher a suprir esse “leite fraco” com a mamadeira.

“Ela vai acreditar que frente ao leite de vaca, o leite dela é fraco. Essa expressão não existe. O melhor leite que pode existir para a criança é o que a mãe dela produz. O que é difícil é manter aquilo que é recomendado no mundo inteiro, 100% aleitamento exclusivo, só leite materno”, confirmou. Segundo o especialista, todas essas taxas beneficiariam muito a criança se a mãe conseguisse amamentar a partir de informações não só das equipes de saúde, mas também do apoio de familiares porque alguns orientam a mulher a dar leite de vaca ao invés de materno para a criança. Nesse período, muitas delas não conseguem dormir e o bebê ainda acorda muito durante a madrugada e se ela não conta com o apoio da família, fica mais fácil ela desistir de amamentar exclusivamente no seio. Para o médico ainda há muito a fazer para que se chegue cada vez mais perto do ideal. Em anos passados, as taxas já foram mais baixas.

Ainda de acordo com o professor doutor, o leite materno é o alimento mais completo para a criança nos seis primeiros meses de vida. Nenhum leite artificial que tem na composição todos os nutrientes enriquecidos é superior ao materno. “Leite materno tem anticorpos. Uma verdadeira vacina que essa criança está recebendo durante a amamentação”, frisou. Corintio Mariani Neto informou, ainda, que o leite materno fortalece o sistema imunológico, melhorando as defesas da criança, prevenindo doenças agudas comuns nos primeiros meses – as mais comuns: diarreia, otite e pneumonia. Ele comentou que em muitos hospitais infantis há crianças doentes com uma dessas doenças e uma das causas é a falta da amamentação.

Toda criança que recebe apenas o leite materno tem um desenvolvimento mais saudável. O ato de sugar o leite, por exemplo, beneficia, segundo o médico, a formação da arcada dentária, a criança aprende a deglutir melhor, assim como controlar a respiração durante a mamada e no futuro terá mais facilidade na articulação das palavras. Além disso, quem tem maior tempo de mamada terá menos chances de desenvolver doenças como diabetes, terá menos alergias na infância e menos asmas na vida adulta, menos aterosclerose, menos doenças cardiovasculares, menos colite ulcera ativa – uma inflamação crônica no intestino, menos doenças de pele (dermatite atópica) e menos possibilidade de ter doenças gastrointestinais. “Se a mãe não pode dedicar aleitamento exclusivo, a gente recomenda que ela ofereça o máximo. Quanto mais leite da mãe ele receber melhor”, ressaltou.

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Estoque reduzido nos meses de festas e férias

Somente no Banco de Leite Humano Anita Cabral, que fica no bairro de Cruz da Armas e que atende a Grande João Pessoa, a redução de litros de leite humano caiu 40% nos dois últimos meses. Segundo a diretora dessa unidade, Thaise Ribeiro, os meses de férias são os que mais sofrem com a queda, pois algumas mulheres viajam, participam de festejos e até mesmo têm outras crianças em casa que também precisam de atenção e deixam de doar. Ela informou que a média mensal de doações de leite no banco é de 250 litros. No entanto, nesse período de férias houve a redução. “A gente está com o estoque conseguindo manter a demanda para os bebês prematuros das unidades neonatais”, afirmou, destacando que o banco possui cinco postos de coleta e atualmente tem média 200 mulheres doadoras e 150 receptores.

No Banco de Leite Humano Dra Zilda Arns, que funciona no Instituto Cândida Vargas, no bairro de Jaguaribe, a coordenadora Daniele Maciel confirmou que nos meses de férias e de festas comemorativas, a unidade sofre com a redução de doações. Disse que o mês de junho foi positivo porque em maio foi realizado uma campanha mundial para doação, mas julho registrou queda. “Claro que ela vai doar o excedente, que é nos primeiros meses de vida. Ela não fica com o leite excedente todos os meses, geralmente os dois ou três primeiros meses. Mas tem mulheres que conseguem amamentar seus filhos até os seis meses e doar”, afirmou. “A gente orienta que tenha o estímulo da mama, de ordenha para que retarde secar. Quanto mais suga, melhor”, acrescentou.

Para esta semana o maior intuito será fortalecer as ações. “É incentivar as mães e falar da importância do aleitamento materno e as doações é uma consequência porque se a mãe está informada de que é importante amamentar o seu bebê e ela sabendo que o quanto mais o bebê mamando mais leite ela vai produzir e o caminho é doar, consequentemente mamando ou retirando ela vai produzir cada vez mais”, informou, destacando que algumas mães temem doar porque acham que vai faltar para o bebê e isso é apenas um mito. A coleta é feita tanto domiciliar quanto dentro dos hospitais. Segundo Daniele Maciel, o tema deste ano é “Aleitamento: presente saudável, futuro sustentável”. Em julho havia 59 doadoras. Enquanto em junho foram 107 – uma queda de 44%.

Bebê prematuro socorrido pelo leite doado

Jéssica da Silva, 20 anos, é mãe de primeira viagem e teve Emylle Vitória Araújo da Silva há um mês e nove dias (hoje). Como teve eclampsia, a criança teve que nascer um pouco antes. “Eu não esperava que ela nascesse de sete meses, mas de nove meses”, disse. A menina ficou na incubadora por alguns dias e como a mãe teve dificuldades para alimentá-la a filha recebeu o leite doado por mães no Banco de Leite Humano Anita Cabral. Só a pouco mais de 20 dias, a pequena começou a mamar no seio da mãe. “Eu fiquei muito feliz porque agora ela está mamando bem. Espero que ela ganhe logo o peso para a gente ir para a casa. Uma amiga minha não doava e incentivei porque sei que é importante porque minha filha precisou”, comentou. Jéssica revelou que pretende alimentar a filha somente com o leite materno até o sexto mês de idade.

Bancos pedem doações de potes de vidros para armazenar leite humano

Segundo Thaise Ribeiro, toda mãe que tenha excesso de leite materno e que queira doar, pode entrar em contato com o banco e comunicar o interesse que uma equipe vai até a residência deixar o material para a coleta e também passar as orientações de como fazer a retirada. Da mesma forma aquelas pessoas que tenham potes de vidro de café solúvel ou de maionese – necessários para armazenar adequadamente o leite humano – pode informar a qualquer banco de leite humano mais próximo da residência que um veículo vai até o local indicado receber a doação. A diretora do banco Anita Cabral informou que se utiliza 40 potes por dia, que dá em média 800 por mês/dias úteis. “A gente faz o pedido porque muitos frascos desses vão para o lixo. Aqui eles são lavados, esterilizados na autoclave e embalados em papel cirúrgicos recomendados pela Anvisa e é realmente é o que suporta”, frisou.

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Quem quiser doar leite humano ou potes de vidro:

Telefone do banco Anita Cabral: 3215-6047

Semana Mundial de Aleitamento Materno

De hoje até sexta-feira, a Semana Mundial de Aleitamento Materno, serão realizadas algumas atividades na Paraíba. De acordo com Thaise Ribeiro, a ideia é fazer várias atividades ligadas a todos os pilares da amamentação: na atenção básica (hospitais, bancos de leite) e empresas. O foco esta semana serão os hospitais porque se comemora os 25 anos da iniciativa do Hospital Amigo da Criança – título dado a aqueles que estimulam o aleitamento materno e que mantém na política hospitalar. “É muito importante para que a mãe, nesse momento que está dentro da maternidade, receber esse apoio”, frisou. Na Paraíba são 14 hospitais.

Outra atividade é com a rede de bancos em que será feita uma atualização com os profissionais dessas unidades porque o leite humano é um produto muito sensível e tem mais possibilidade de se estragar. Em Cajazeiras, no Sertão paraibano, será realizado um evento juntamente com a Câmara de Dirigentes de Lojistas (CDL). “A gente tem outro pilar que é trabalhar o aleitamento materno dentro das empresas que queira disponibilizar uma sala de apoio a mãe trabalhadora”, pontuou.

Em Patos. A Maternidade Dr. Peregrino Filho, de Patos, já definiu a sua programação dentro da 25ª Semana Mundial de Aleitamento Materno, que está sendo promovida pelo Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Hoje acontece a abertura na cidade.  Haverá uma panfletagem, na Praça Getúlio Vargas, no Centro, entre 9h e 10h30. Na terça-feira, a programação acontecerá no Centro Educacional Dr. Mauro Medeiros, em São José do Sabugi, com a palestra ‘Amamentação e seus benefícios’, feita pela bioquímica do Banco de Leite de Patos, Faldrecya Borges, das 9h às 11h.

Na quarta-feira (03), a programação acontece em dois horários. Pela manhã, às 9h,  na sede do  Banco de Leite doutora Vilani Kehrle, será oferecido um café da manhã, em homenagem às mães doadoras e recebedoras. À tarde, haverá uma palestra para gestantes, no Cras de Patos, das 14h às 16h, com o tema ‘Os 10 passos para o sucesso do aleitamento e doação do leite humano’. A abordagem será feita pela nutricionista, Silvana Oliveira e a bioquímica, Faldrecya Borges. Em seguida, haverá uma apresentação do grupo teatral ‘Mãe Leoa’, com a peça ‘As inimigas do peito’.

Em João Pessoa. Já na quinta-feira (04), a programação da Semana será realizada em João Pessoa, durante todo o dia, no auditório da Maternidade Frei Damião, onde serão realizadas reuniões com representantes das salas de apoio a mulher trabalhadora que amamenta, das 13h às 14h, além do curso em atualização em Segurança Alimentar e Nutricional do Uso do Leite Humano em unidades neonatais e setor de porcionamento, das 14h às 17h. A coordenadora do Banco de Leite de Patos, Joana Sabino, a nutricionista Silvana Oliveira e  a enfermeira do porcionamento, Amanda Bento participarão das atividades na capital paraibana.

 

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