sexta, 26 de fevereiro de 2021

Saúde
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Um ano após ameaça de fechamento, filantrópicos ainda ‘respiram por aparelhos’

Rammom Monte / 03 de junho de 2017
Foto: Divulgação
Pouco mais de um ano após ameaçarem fechar as portas, dois hospitais filantrópicos na Paraíba estão com a situação financeira um pouco melhor. Em fevereiro do ano passado, os hospitais Padre Zé, em João Pessoa, e Flávio Ribeiro Coutinho, em Santa Rita, tornaram público o estado de suas finanças. E a realidade não era nada animadora. Hoje, apesar de ainda existirem dificuldades, o cenário é mais otimista. Porém, ainda não há muito motivos para comemorar.

De acordo com o diretor presidente do Padre Zé, cônego Egídio de Carvalho Neto, se antes havia a preocupação de encerrar as atividades, hoje, pelo menos por enquanto, esta hipótese está afastada. Porém, segundo o próprio diretor, o hospital "respira com a ajuda de aparelhos". E um destes "aparelhos" é uma parceria com o Governo do Estado.

“O que salva o Padre Zé é um convênio com o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza no Estado da Paraíba (Funcep-PB). Porque este fundo, que foi criado no estado, em que é depositado uma quantia de 5% de tudo que é vendido de bebida, cigarro e importados, contempla entidades filantrópicas. Graças ao fundo, há o dinheiro para o remédio dos pacientes”, explicou.

O cônego disse ainda que se o hospital dependesse apenas dos repasses feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), já teria fechado as portas.s“Nós melhoramos porque os leitos novos foram reabertos pelo Ministério da Saúde e isto fez com que o hospital tomasse fôlego. Mediante os valores do SUS a tendência dos hospitais filantrópicos é ou deixar o SUS ou fechar as portas. Hoje nenhum médico quer fazer uma consulta por R$ 10, que é o que o SUS paga”, disse.

O hospital tem em média de 500 a 550 internações por mês. Além disso, são atendidas 2.500 pessoas por mês na área ambulatorial. Mensalmente, o custo com medicação gira em torno de R$ 150 mil. Segundo o cônego, atualmente há superávit, mas quase no limite.

"Com as doações, com o que entra do SUS e do FUNCEP temos mensalmente uma entrada maior do que a saída, a receita é maior do que a despesa. Não é tão grande, a ponto de chegar e dizer que vai chegar o 13º e ter o dinheiro para pagar os funcionários. Tem que fazer campanha, como fazemos em todos os anos para conseguir pagar. O peso maior é a folha com o pessoal", pontuou.

Situação em Santa Rita melhorou, mas ainda é grave

Um pouco diferente do que acontece no Padre Zé, a situação no Flávio Ribeiro Coutinho não melhorou tanto. De acordo com a administradora financeira do local, Maria Sueli, as dificuldades são as mesmas encontradas em vários locais do país.

“É como está a saúde no país. Grande parte das nossas verbas vêm do SUS , o SUS não aumenta o seus recursos para que a gente possa fornecer um serviço melhor. Ainda tem dificuldade de encontrar profissionais que trabalham só pelo SUS. Não somos diferentes, também estamos sacrificados”, disse.

Apesar disso, ela afirmou que não há a pretensão de se fechar as portas do hospital. “Não estamos pensando nesta possibilidade, a gente quer continuar, se fechar vai morrer muita gente. Somos o único hospital de Santa Rita. Os PSF não estão funcionando, tudo por esta condição de não ter recursos”, finalizou.

Como ajudar

Uma das receitas do Hospital Padre Zé é a doação. Segundo o cônego Egídio, o cidadão tem duas formas de doar: através do telefone ou indo pessoalmente ao hospital.

"Temos um sistema no hospital chamado de teledoações. As pessoas podem ou se dirigir ao hospital, que é o que a gente gosta, já que a pessoa tem oportunidade de conhecer o local, ou pelo telefone 3241-8080. A partir do telefone e da visita, a pessoa vai dizer como gostaria de ajudar o hospital, se quer doar mensalmente, ou se quer que o motoboy vá na sua residência buscar a doação", finalizou.

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