quinta, 24 de setembro de 2020

Saúde
Compartilhar:

Três quedas por hora e idosos são maiores vítimas

Bruna Vieira, Wênia Bandeira e Katiana Ramos / 18 de novembro de 2016
Foto: Chico Martins
A cada hora, pelo menos três pessoas são vítimas de queda na Paraíba. A estimativa refere-se ao número de pacientes que sofreram esse tipo de acidente e foram atendidos nos Hospitais de Trauma de João Pessoa e de Campina Grande. No período de janeiro até outubro deste ano, 21.069 pacientes com esse perfil deram entrada nas duas unidades.

O Hospital Regional de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande, recebeu 11.695 pacientes com fraturas decorrentes de quedas, nos últimos dez meses. Nesse mesmo período, o Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, na capital, registrou 9.364 vítimas.

Segundo os médicos, seja idoso ou não, as sequelas de uma queda, mesmo sem a ruptura óssea, podem perdurar por muito tempo.

Douglas Duarte, de 29 anos, estava dormindo quando ouviu um grito da esposa. Atordoado, correu em sua direção para ver o que estava acontecendo, sem perceber o piso molhado. “Passei um dia na linha vermelha do Trauma. Bati a cabeça, mas, o médico não achou necessário realizar exame. Não tive nenhuma fratura, mas, houve uma luxação na coluna. Apesar de ter tomado medicação, feito fisioterapia e pilates, as dores ainda me acompanham. Passei um mês sem poder levantar da cama. Até respirar doía”, relembrou o administrador.

Cuidado maior. Os idosos e crianças são as principais vítimas de quedas, segundo os médicos. Porém, nos mais velhos, o risco é maior, pois, a produção de tecido ósseo não é tão significativa quanto nas crianças. O ortopedista João Bartolomeu, explicou que a queda de própria altura é responsável pelo alto índice de entradas hospitalares na terceira idade. “As pessoas estão chegando a idades mais avançadas no Brasil. Porém, a prevenção para evitar quedas, osteoporose e outras doenças não está sendo efetiva. A queda provoca muita fratura no colo do fêmur, região do quadril e punho”, destacou.

Para o médico, os cuidados preventivos devem iniciar com a própria família. “A maioria das quedas ocorre em casa, muitos tapetes dificultam a locomoção. A osteoporose favorece muito e as mulheres são mais atingidas. A maior parte dos idosos necessita do tratamento cirúrgico, que também é mais arriscado nos mais velhos”, orientou.

A aposentada Inácia Maria dos Santos, de 79 anos, está nas estatísticas das vítimas de queda atendidas no Hospital de Trauma de Campina Grande. Com desvio na coluna, ela não tem equilíbrio suficiente para andar pela casa. “Já é a terceira vez que eu quebro o punho e tenho que engessar o braço. Eu precisava operar, mas o meu osso não aguentaria”, contou a idosa, que veio do município de Solânea.

27% foi o aumento nos atendimentos por queda no Trauma de João Pessoa entre 2013 e 2015 (de 8.473 para 10.764).

Somente no Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, foram registrados 10.764 atendimentos devido à quedas no ano passado. Isso equivale a uma queda a cada hora.

Relacionadas