quarta, 12 de maio de 2021

Saúde
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Tratamento da hepatite pelo SUS é ampliado na Paraíba

Aline Martins / 01 de maio de 2018
Foto: Arquivo
Desde o mês passado está em vigor a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas das Hepatites Virais no País, o que permite uma ampliação do serviço a todos os portadores hepáticos. Anteriormente, apenas as pessoas com grau de fibrose hepática poderiam receber o medicamento. Agora, todo aquele diagnosticado, independentemente do quadro, já inicia o tratamento adequado.

Embora a Paraíba seja o estado brasileiro com o menor índice de detecção da hepatite C, entre 1999 e 2016, foram confirmados 450 casos, de acordo como o Boletim das Hepatites Virais divulgado pelo Ministério da Saúde.

O Hospital Clementino Fraga, que fica no bairro de Jaguaribe, em João Pessoa, é referência no diagnóstico e tratamento da doença. Com o objetivo de incentivar o diagnóstico e o tratamento, as Sociedades Brasileiras de Infectologia e de Hepatologia realizam ações para alertar a população sobre a importância de fazer o teste de verificação. A ampliação da assistência é uma estratégia do Ministério da Saúde (MS) que tem por objetivo atingir a meta de eliminar a enfermidade até 2030.

Conforme o Boletim das Hepatites Virais, os óbitos por hepatite C representam atualmente a maior causa de morte entre as hepatites virais no Brasil. No período analisado pelo MS, 214 pessoas morreram na Paraíba. A hepatite C é uma doença silenciosa causada por vírus e que ataca o fígado, mas que pode ser curada com as terapias disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o médico infectologista e professor de Doenças Infecto-Contagiosas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Francisco Bernardino Neto, se não for tratada, a doença pode evoluir e chegar a causar cirrose hepática, câncer de fígado ou necessidade de transplante de órgão. O médico ainda explicou que o tratamento da hepatite C consiste em tomar o remédio conforme o novo Protocolo durante 12 ou 24 semanas a depender de cada caso.

Ainda segundo Francisco Bernardino Neto, a orientação é que as pessoas que tenham algum dos comportamentos de risco a hepatite C faça o teste rápido, pois é possível obter o resultado em um período de 15 ou 30 minutos, dependendo do kit do material disponível. Se confirmada a doença, a pessoa é encaminhada para um laboratório que acompanha as hepatites virais.

O especialista ressaltou também que a hepatite pode ficar incubada por muitos anos sem manifestar qualquer sintoma.

Segundo a farmacêutica e responsável pelo setor de Hepatites Virais do Hospital Clementino Fraga, Rosa Maria, a unidade hospitalar possui uma farmácia âncora do Centro Especializado de Dispensação de Medicamentos Excepcional (Cedmex), que autoriza a dispensação dos medicamentos destinados ao tratamento da hepatite C. Além dessas, há outras onze farmácias situadas nas cidades sedes das Gerências Regionais de Saúde que também atendem a estes pacientes. “Desde 2002, o Sistema Único de Saúde disponibiliza tratamento para essa doença. Em 2015 foram incorporados novos medicamentos para hepatite C crônica, com menos efeitos adversos. O tratamento quando indicado é altamente eficaz, com taxa de cura em torno de 97%”, frisou.

Ações da SES. Ainda de acordo com Rosa Maria, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) está utilizando estratégias que propiciem inserção em atividades que objetivamente colaborem em atingir a meta (diagnóstico, acompanhamento médico e tratamento). Dentre as atividades estão à realização de Testes Rápidos (TR) para os diabéticos durante a dispensação da insulina, no Núcleo de Assistência Farmacêutica (NAF/SES), testagem no Residencial Cidade Madura, apoio ao município de Santa Rita na realização do Projeto de realização de Testes Rápidos durante a campanha de vacinação contra Influenza e Nota Técnica aos municípios com recomendação de realização dos testes.

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