terça, 11 de maio de 2021

Saúde
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Surto de dengue em Coremas já registra 600 casos e três mortes suspeitas

Ainoã Geminiano / 08 de maio de 2018
Foto: Divulgação
A volta das chuvas no Sertão trouxe muita alegria para os paraibanos, mas trouxe junto algumas situações inesperadas e nada agradáveis. Uma delas é que, nos anos de seca, os sertanejos se habituaram a acumular depósitos de água. Veio a chuva e os quintais ficaram repletos de recipientes com água, aquecidos com a alternância dos dias de sol. Ambientes perfeitos para reprodução do Aedes aegypti. O resultado disso é que muitas cidades já estão sofrendo com a ‘explosão’ de casos de dengue. O município de Coremas, por exemplo, está sob decreto de calamidade pública desde o dia 17 do mês passado, por conta de um surto da doença, que gerou mais de 600 notificações e três mortes suspeitas, em menos de 40 dias.

Em todas as cidades onde os registros de dengue estão crescendo, o diagnóstico é o mesmo: os reservatórios usados para suportar a seca viraram criadouros do Aedes. O secretário de Saúde de Coremas, Edilson Pereira, disse que a situação pegou todos de surpresa.

“Ninguém imaginava que o inverno fosse chegar e que teríamos esse problema. Por isso uma das nossas lutas agora é conscientizar as pessoas a tratar seus reservatórios e eliminar os focos do mosquito”, afirmou.

Segundo o secretário, os primeiros casos de dengue registrados no mês passado não demonstraram a dimensão que o problema iria tomar, até que o hospital local não conseguiu mais dar conta de tanto atendimento.

“Só no mês de abril fizemos 834 atendimentos. Os casos mais simples ficavam no hospital local, mas os que precisavam de atendimentos mais complexos começamos a transferir para Patos, Campina Grande, Sousa e Piancó. Quando percebemos a gravidade, resolvemos decretar calamidade, para podermos tomar providências urgentes como contratação de mais agentes de vigilância, locação de equipamentos e remanejamento de recursos, já que não recebemos nenhuma verba extra”.

No período do surto, três pessoas morreram e os casos estão sendo investigados para confirmação ou descarte de dengue como a causa da morte.

“Uma da vítimas é um técnico de enfermagem, que já tinha outras doenças e, ao ser infectado com a dengue, não resistiu. Tivemos também um senhor que era paciente renal, fazia hemodiálise e uma criança que nasceu em Campina Grande, de uma mãe que estava com dengue”, relatou o secretário. Os pacientes mortos tinham dengue hemorrágica, inclusive a mãe do recém-nascido.

Combate

Para combater o surto, a prefeitura do município de Coremas tomou várias providências, além de aumentar em 50% o efetivo de agentes de combate à dengue, a prefeitura começou a usar o carro fumacê no dia 22, mobilizou secretarias para fazer limpeza de todos os terrenos baldios da cidade, intensificou as visitas nas residências com aplicação de pesticida e até colocação de alevinos nas caixas d’água e cisternas.

Atenção com febre alta

Segundo o Ministério da Saúde (MS), a infecção por dengue pode não ter sintoma, ser leve ou causar doença grave, levando à morte. Normalmente, a primeira manifestação da dengue é febre alta (39° a 40°C), de início abrupto, que geralmente dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, além de prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele. Perda de peso, náuseas e vômitos são comuns.

Na fase febril inicial da doença, pode ser difícil diferenciá-la. Na forma grave da doença é importante procurar um serviço de saúde para diagnóstico e tratamento adequados, assim que surgirem os sintomas.

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