sábado, 19 de setembro de 2020

Saúde
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Só no mês passado, 1.904 pacientes com Alzheimer foram tratados na PB

Aline Martins / 22 de setembro de 2017
No mês passado, 1.904 usuários receberam medicamentos para o tratamento de Alzheimer na Paraíba. Isso representa um aumento de 35% se comparado com o mesmo período de 2015, por exemplo. Esses dados são do Centro Especializado de Dispensação de Medicamentos Excepcionais (Cedmex), da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Em decorrência dessa doença e de outras demências, 332 pessoas morreram no Estado no ano passado.

Este ano, o número já chega a 150 conforme relatório da Secretaria. Ontem, foi comemorado o Dia Mundial de Conscientização da Pessoa com Alzheimer e o principal alerta é para o diagnóstico precoce. Embora seja incurável, há como tardar a dependência da pessoa com Alzheimer.

A presidente da Associação Brasileira de Alzheimer na Paraíba (Abraz), a neuropsicóloga Regina Neves, explicou que o Alzheimer é a maior causa de demência no mundo.

“São mais de 46 milhões de pessoas no mundo que têm a doença. No Brasil, 1,6 milhão. É uma doença degenerativa, progressiva, sem cura, atacando sintomas da memória, funções cognitivas e distúrbios comportamentais. São três estágios da doença: médio, moderado e grave. O importante é o diagnóstico precoce, ou seja, em um estágio leve para poder tratar”, ressaltou.

Mas como saber se a pessoa tem a doença? Lapsos de memória e desconhecer o local onde está já são indicativos de que é necessário procurar um médico.

“As pessoas começam com alguma dificuldade na memória – lapsos de memória. Às vezes, ao mesmo tempo, a memória é a questão do espaço, do tempo, ou seja, às vezes desconhecer o local onde está e acaba se perdendo”, comentou, destacando que com o avanço do estágio da doença, há um comprometimento das funções executivas como habilidade – ir ao banco, de raciocinar, de entender, de fazer um trabalho, de cozinhar – consideradas funções mais complexas.

Segundo a especialista, a doença pode ter como causa o fator hereditário, mas o que mais tem contribuído é a falta de cuidado com a saúde.

“A falta de atividade física, hipertensão, diabetes, a nutrição são causas maiores. A pessoa que come muita gordura, não toma conta da sua nutrição, também. Quando você não cuida do coração é a mesma coisa você também não estar cuidando do cérebro”, ressaltou, acrescentando que exercitar o cérebro, viver melhor a parte social, aprender coisas novas é uma das formas de prevenir a doença.

Idosos são maioria

Regina Neves comentou que o Alzheimer pode acometer jovens, mas a maior frequência ainda é em idosos. Em relação ter mais mulheres do que homens morrendo com a doença, a presidente da Abraz na Paraíba, não há um estudo que indique algum motivo, apenas por ter maior número de mulheres como habitantes no mundo.

Além disso, a especialista orientou que, quem tem parentes em casa, principalmente acima dos 60 anos, que é a idade que mais acomete as pessoas, deve ficar alerta aos sintomas para que o diagnóstico seja precoce. “Tem que olhar esses lapsos de memórias, levar ao médico para checar o diagnóstico preciso e se for demência tratar o mais cedo possível”, afirmou, destacando que o tratamento precoce tarda a evolução da doença.

Tratamento. Em relação ao tratamento, a médica Regina Neves destacou que é necessário melhorar na Paraíba. Em João Pessoa, ela frisou que ainda é mais fácil conseguir locais para o diagnóstico da doença, mas nos demais municípios há uma carência maior no atendimento aos portadores dessa doença.

Rémedio

Os medicamentos são fornecidos pela SES para os pacientes diagnosticados e que são cadastrados, a partir do Programa de Medicamentos Excepcionais, no Cedmex.

Atendimento

De acordo com a SES, a subnotificação dos casos de Alzheimer no Brasil e, consequentemente na Paraíba, é muito alta e está relacionado ao fato de que o problema é frequente na idade avançada.

A SES ainda informou que o atendimento à pessoa com Alzheimer deve ser iniciado com o médico na atenção básica, que solicita os exames necessários e pode encaminhar o paciente ao especialista (geriatra, neurologista ou psiquiatra) de acordo com o fluxo de cada município. Nesse caso, em se confirmado o diagnóstico, a pessoa com Alzheimer poderá ser acompanhando por serviços de atendimento domiciliar do município, assim como pelas equipes do Nasf. Para que o paciente tenha direito à medicação, ele deve ser analisado clinicamente pelo médico e realizar os exames laboratoriais e de imagem que, provavelmente, serão solicitados.

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