quinta, 24 de janeiro de 2019
Saúde
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Estoque de leite materno está em déficit na Paraíba

Lucilene Meireles / 02 de agosto de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
O volume de leite doado nos postos de coleta da Paraíba está 30% abaixo do necessário e não consegue atender toda a demanda das unidades neonatais. Por conta disso, muitos bebês prematuros, que estão na UTI, acabam recebendo fórmulas artificiais, quando o recomendado, pelo menos até os seis meses, é a alimentação exclusiva com leite materno. No Agosto Dourado, mês do aleitamento materno, o Banco de Leite Humano Anita Cabral convoca as mães com produção em excesso para doarem leite, que representa vida para os recém-nascidos.

A enfermeira Thaíse Ribeiro, diretora geral do Banco de Leite Humano Anita Cabral, disse que o local tem conseguido atender, em média, 80% dos recém-nascidos. Nos meses em que o estoque está mais baixo, esse percentual cai para 70%, mas a intenção é aumentar os 30% que faltam para atender 100% dos bebês nas unidades neonatais.

Durante todo o mês e, especialmente na 26ª Semana Mundial de Aleitamento Materno, que ocorre de forma simultânea em 120 países, há um reforço para incentivar a amamentação e a doação. As mulheres que têm leite em excesso e quiserem doar, não precisam se deslocar, pois o Banco de Leite vai buscar a doação em casa. Ela só precisa coletar e guardar no congelador, em pote de vidro com tampa de plástico.

As ações realizadas no Estado têm como tema ‘Amamentação: a base da vida’. As atividades acontecem em todos os bancos e postos de coleta no mês reconhecido pela Lei Federal nº 13.435, de 12 de abril de 2017, como Agosto Dourado.

Doar é salvar vidas. A estudante Kênia Macena, de 16 anos, deu à luz no último dia 18, ao completar 33 semanas de gestação. O parto foi prematuro e a pequena Laura, que nasceu com pouco mais de um quilo e meio, está na UTI. Por sorte, a mãe está produzindo bastante leite e, além de alimentar sua filha, decidiu doar para os bebês de mães que ainda não conseguiram amamentar. “Fui informada aqui no hospital sobre a importância da amamentação e também da doação, porque existem muitos bebês que precisam. Para mim, faz bem demais saber que posso ajudar”, afirmou, enquanto fazia a ordenha no banco de leite, orientada pelas enfermeiras do setor.

Maria Alice completou quatro meses de vida e a mãe, a artesã Josineide Dias Gomes, que já é mãe de outras três crianças de 16, 14 e 2 anos. Ela amamentou todos os filhos e não é diferente com a caçula. “Nunca tive problemas amamentar, inclusive, quando tive meu filho que hoje está com 14 anos, a produção foi tanta que cheguei a doar ao banco. É muito prazeroso saber que ajudei às mães e às crianças prematuras”, recordou.

A dona de casa Emannuelle Gomes, mãe de Maria Eliza, de três meses, não tem leite em excesso, mas amamenta a filha exclusivamente com leite materno. “Eu sempre soube dos benefícios da amamentação, evita doenças. Tanto que meu filho de 6 anos mamou até os 9 meses”, disse.

Ela não chegou a doar, mas ressaltou que as mães que puderem, o façam. “Aqui no Banco de Leite Anita Cabral recebemos todas as orientações”, completou.

 

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