sexta, 19 de abril de 2019
Saúde
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Secretaria de Saúde faz busca por quem ainda não se vacinou

Lucilene Meireles e Katiana Ramos / 16 de fevereiro de 2019
Foto: Imagem ilustrativa
As Secretarias de Saúde de 125 municípios da Paraíba deverão fazer a busca ativa das crianças que não receberam a vacina tríplice viral, que previne, entre outras doenças, o sarampo. A orientação é da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e foi feita após o Ministério da Saúde alertar sobre o surgimento de novos casos da doença no País. Na Paraíba, o índice de cobertura da tríplice viral ficou em 89,74%.

Dados preliminares nacionais, de 2018, apontam que 49% dos municípios brasileiros não atingiu a meta de cobertura vacinal contra o sarampo, que deve ser igual ou maior que 95%. Entre as cidades está João Pessoa, que alcançou 92,6% de cobertura. A preocupação dos órgãos de saúde pública aumenta porque há surtos confirmados de sarampo no Pará, Roraima e Amazonas. Os três estados, inclusive, também não conseguiram alcançar o índice previsto de imunização.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde (SES), apesar do número alto de municípios que não atingiram o índice de vacinação, os dados ainda podem melhorar. A SES informou que o Sistema de Informação da Imunização continua aberto até março de 2019 para que estas cidades possam alimentar os dados referentes ao ano de 2018, atualizando os números.

Além da realização da busca ativa, onde os profissionais de saúde vão até os domicílios paraibanos a procura de crianças que não receberam a dose da tríplice viral, outra medida da SES é orientar os municípios sobre a necessidade de ampliar a cobertura. A Secretaria esclareceu ainda que, durante todo o ano, são realizadas avaliação e monitoramento dos dados de cobertura vacinal, além de oficinas com os municípios sobre sistema de informação e cobertura vacinal e abastecimento dos imunobiológicos aos 223 municípios.

Cobertura em João Pessoa. Apesar de registrar um alto índice de vacinação - 92,61% -, João Pessoa está entre os municípios paraibanos que não conseguiram alcançar a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde para a tríplice viral. Porém, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que ainda não recebeu qualquer informação sobre o alerta feito aos secretários de Saúde para ampliar cobertura vacinal do sarampo.

“Acho que a gente ainda tem Estados que estão passando pelo surto e não conseguiram a barreira epidemiológica. Com isso todos os demais correm o risco de uma pessoa aparecer com sarampo, visto que estamos perto do período carnavalesco e todo mundo viaja. Daí também vem a preocupação do Governo Federal com a vacinação”, ponderou Fernando Virgolino, chefe da Seção de Imunização da SMS.

Ele lembrou que a tríplice viral pode ser administrada em pessoas até 49 anos de idade. Até os 30 anos tem que comprovar duas doses da vacina para ser considerado imunizado. Pessoas com idade acima de 30 até 49 anos recebem uma dose da vacina e são consideradas imunizadas apenas com essa dose. “Em João Pessoa, alcançamos 92,61% na tríplice viral. Conseguimos isso porque tivemos toda a mídia falando sobre a importância da vacinação e chegamos perto da meta”, comemorou.

A campanha começa em abril e termina em maio. “Mas sempre tem prorrogação, porque a população só deixa para ir na última hora. A orientação é procurar os postos assim que for iniciada. O adulto que tem entre 30 e 49 e não tomou nenhuma dose pode procurar o posto. Se tem confirmada a vacinação no cartão, não precisa tomar mais. Se tem menos de 30 anos, tem que comprovar duas doses da vacina”, esclareceu.

Eficácia da vacina



O Ministério da Saúde lembra que a vacinação é a forma mais eficaz e segura para prevenção de doenças como o sarampo. Em 2018, o Brasil enfrentou um grande surto de sarampo, envolvendo 11 estados, com 10.302 casos confirmados, sendo 90% deles concentrados no Amazonas, entre os meses de junho e agosto. Este ano, ainda há registro da circulação do vírus do sarampo no país e, até agora, três casos foram confirmados laboratorialmente no município de Prainha, no Pará.

“O Ministério da Saúde tem agido incansavelmente para interromper o surto de sarampo no país. É muito importante que todas as pessoas estejam vacinadas e, portanto, protegidas contra a doença. Em muitos casos, por não terem mais notícia da circulação de algumas doenças no país, a exemplo da poliomielite também, pais e responsáveis não as vêm mais como um risco, como é o exemplo do sarampo. Por isso, é necessário ressaltar a importância da imunização e desmistificar a ideia de que a vacinação traz malefícios”, disse o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

“Com o baixo índice de vacinação e a reentrada do sarampo no Brasil, há o risco de perdermos o certificado de área livre da doença. Se o Brasil perde as Américas perdem. Se as Américas perdem, uma pessoa não pode chegar e nem sair do continente sem a comprovação de vacina. Tem implicações muito grandes para todos os ambientes de negócios, para todas as instâncias turísticas, e o que significa em um mundo globalizado restrições por questão sanitária”, enfatizou.

Orientações. O Sistema Único de Saúde oferta gratuitamente duas vacinas que protegem contra o sarampo: a tetra viral que protege, além do sarampo, contra a rubéola, caxumba e varicela, e é administrada aos 15 meses, e a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba), também aos 15 meses.

Para os estados que estão abaixo da meta de vacinação, o Ministério da Saúde tem orientado os gestores locais que organizem suas redes, inclusive com a possibilidade de readequação de horários mais compatíveis com a rotina da população brasileira.

Outra orientação é o reforço das parcerias com as creches e escolas, ambientes que potencializam a mobilização sobre a vacina por envolver também o núcleo familiar.

Outro alerta constante é para que estados e municípios mantenham os sistemas de informação devidamente atualizados.

O Ministério da Saúde ainda reforça que todos os pais e responsáveis têm a obrigação de atualizar as cadernetas dos filhos, em especial as crianças menores de 5 anos, que devem ser vacinadas conforme esquema de vacinação de rotina.

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