quarta, 12 de maio de 2021

Saúde
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Sarampo volta a aparecer na Paraíba e vigilância é reforçada

Lucilene Meireles / 06 de julho de 2018
Foto: Reprodução
O sarampo voltou a assustar a população brasileira. O país, que recebeu o registro de eliminação da doença em 2016, da Organização Mundial de Saúde, vive a ameaça de um surto que já é real no Amazonas, com 265 casos confirmados, e Roraima, que confirmou 200 casos, segundo o Ministério da Saúde. As autoridades de saúde da Paraíba ligaram o alerta e monitoram casos suspeitos e atuam no fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica e imunização.

Casos isolados relacionados à importação do sarampo foram identificados em São Paulo (1), Rio Grande do Sul (6) e Rondônia (1). Na Paraíba, os últimos registros foram em 2013, mas as ações de prevenção estão sendo tomadas pelos municípios.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que os profissionais da atenção básica e assistência hospitalar estão aptos a atender os casos com sintomas da doença, mas a vacina continua sendo o principal meio de prevenção. A recomendação é que os casos com sinais clínicos compatíveis com suspeita de sarampo sejam notificados como suspeitos, sendo monitorados e investigados, como recomenda o protocolo nacional de vigilância para o sarampo.

Em João Pessoa, o risco para reintrodução do sarampo é baixo, segundo o gerente da Vigilância Epidemiológica, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Daniel Araújo. Mesmo assim, será necessário manter as altas coberturas vacinais para não favorecer a disseminação do vírus. “Há possibilidade de reintrodução do sarampo na região, principalmente devido ao fluxo migratório de residentes em outros estados e que, no momento, enfrentam uma situação de investigação epidemiológica de casos suspeitos e confirmados”, disse.

Diante do cenário nacional, está sendo estruturado um plano de ação que envolve estratégias para aumento da cobertura vacinal, treinamento de profissionais e fortalecimento dos fluxos de rede laboratorial. “O sarampo é uma doença que acomete, principalmente, indivíduos na primeira infância, podendo ocorrer em adultos não vacinados. Casos de sarampo são tratados em ambiente ambulatorial, nas Unidades de Saúde da Família, e os graves não são comuns”, frisou.

Prevenção

Em Campina Grande, não existem casos suspeitos, mas a Secretaria de Saúde está atenta. O diretor de Vigilância em Saúde, Miguel Dantas, afirmou que está se antecipando para orientar a população. “Estamos chamando a equipe de imunização para atualizar o calendário das pessoas que estão chegando de fora do país e se instalando em alguns municípios”, afirmou.

Já em relação às crianças, a vigilância quanto ao calendário vacinal é rotina da equipe de saúde nas 107 Unidades de Saúde da Família (USFs) de Campina Grande.

“O índice de vacinação nunca é menor que 90%. Só se houver algum desabastecimento nacional. No Dia D, geralmente, 70% já têm sido vacinados”, afirmou. No município, está prevista uma barreira sanitária eficiente, que é a quimioprofilaxia. Por se um pólo universitário, comercial e de passagem entre regiões, Campina Grande tem esse cuidado no protocolo municipal de imunização. Os hospitais, inclusive, estão preparados para atender, mas conforme o gerente, para chegar a esse ponto significa que várias etapas foram suprimidas dentro da estratégia.

Bloqueio vacinal

O Ministério da Saúde informou que, desde fevereiro, tem mantido equipes técnicas e treinadas nos estados do Amazonas e Roraima para acompanhar as ações e prestar orientação no enfrentamento da situação. O aparecimento de casos na região Norte está relacionado à onda migratória de venezuelanos.

Com apoio do MS, gestores dos dois estados estão revisando prontuários e fichas de atendimento para encontrar casos de sarampo que não foram identificados na época. No Amazonas, está sendo feito o bloqueio vacinal, vacinação casa a casa, intensificação vacinal e estratégias de isolamento de casos suspeitos.

Entre 2013 e 2015, ocorreram surtos decorrentes de pacientes vindos de outros países, sendo registrados neste período 1.310 casos da doença. Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo e empreende esforços para manter o certificado.

A doença

O sarampo é uma doença viral que pode ser prevenida através da vacinação. Os principais sintomas, segundo o infectologista Evanízio Roque, são febre, vômitos, erupção cutânea e, em alguns casos, diarreia. A doença dura em torno de 15 a 20 dias e, geralmente, afeta crianças. Por isso, a orientação aos pais é que, ao perceber estes sintomas, procure atendimento médico. “O sarampo é considerado uma virose grave e mata por desidratação, através do vômito e diarreia, explicou o infectologista Evanízio Roque.

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