terça, 11 de dezembro de 2018
Saúde
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Consumir animais que comem plástico traz risco de câncer e Alzheimer

Lucilene Meireles / 09 de junho de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
Na Paraíba, os efeitos da poluição pelo plástico são evidentes. Além de bueiros entupidos e ruas alagadas, rios poluídos morrem aos poucos e a vida marinha está ameaçada. Este ano, a ONG (Organização Não Governamental) Guajiru recolheu 70 tartarugas mortas no Litoral e 25% delas tinham plástico no estômago. Além dos perigos já conhecidos, surge um novo alerta: o consumo de animais contaminados pode expor a população a doenças graves como câncer e Alzheimer.

“Esse material, além de sujar, está contaminando silenciosamente e não sabemos os efeitos futuros para quem consome. Essa pode ser uma explicação para os casos de câncer que têm aumentado e não sabemos de onde estão vindo”, observou a bióloga Rita Mascarenhas, coordenadora da Guajiru e do projeto Tartarugas Urbanas.

Ela explicou, inclusive, como o plástico pode alterar o organismo de animais e afetar a saúde dos seres humanos. “O plástico PET aquecido solta uma substância chamada bisfenol, que imita o hormônio sexual feminino. Golfinhos machos ficam se portando como fêmeas por conta dessa água contaminada”, afirmou.

Já para as pessoas que consomem peixes e outros frutos do mar contaminados, um dos riscos está no rótulo das garrafas de refrigerante. “Os rótulos têm cádmio, que segura a cor. Essa substância provoca Alzheimer, câncer de fígado e câncer de pulmão. São coisas que ninguém para para pensar”, sentenciou a bióloga.

Plástico: o grande vilão da vida marinha

“O lixo plástico hoje é o maior vilão da vida marinha e o grande gargalo da sobrevivência do planeta é a questão do lixo. Essa hoje seria a principal causa de mortes desses animais”, constatou a bióloga Rita Mascarenhas. Segundo ela, no Sul do país, 100% das tartarugas necropsiadas têm plástico no estômago.

Ela ressaltou que o processo industrial não se preocupa com o meio ambiente. “O plástico é um material barato, de fácil acesso e facilita a vida da gente, mas é preciso rever. Não está só matando a vida marinha, mas também contaminado pelas substâncias”, acrescentou. O lixo é sempre tema da palestras realizadas pela ONG Guajiru.

Em sua mensagem no Dia Mundial do Meio Ambiente, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, chamou a atenção para a gravidade do problema. “O mundo deve se unir para vencer a poluição por plástico. Ele pediu que todos interrompam o uso de descartáveis, como garrafas. “Recuse o que você não pode reutilizar”, declarou.

Este ano, o tema da ONU Meio Ambiente para a data é #AcabeComAPoluiçãoPlástica”. O objetivo é chamar a atenção da sociedade para reduzir a produção e o consumo excessivo de produtos plásticos descartáveis.

Plástico vai parar no rio e no mar

Seja em forma de sacolas, garrafas PET, canudos, embalagens de produtos, entre outros, o plástico é um tipo de lixo comumente descartado nas ruas. Quando chove, entope galerias, provoca alagamentos e gera problemas para inúmeras famílias.

Esse mesmo plástico também polui rios, o mar, e a consequência desse descarte criminoso é a morte de várias espécies, como peixes e tartarugas.

Em João Pessoa, a principal nascente do Rio do Cabelo, no bairro de Mangabeira, está totalmente poluída. Ao longo da Mata do Buraquinho, nas imediações do Hospital Universitário Lauro Wanderley, o lixo também compõe a paisagem, assim como no manguezal do Porto do Capim.

Exemplo a ser seguido

Se por um lado, muitos fingem desconhecer os riscos de jogar lixo no meio ambiente, por outro há aqueles que são exemplo, catando lixo na areia da praia. O trabalho voluntário mostra que o pouco pode se tornar muito se cada um fizer a sua parte.

Um exemplo é a jornalista e presidente da PBTur, Ruth Avelino. Em suas caminhadas, ela faz questão de recolher a sujeira que encontra na areia. “Vejo a poluição como uma questão seríssima, que merece atenção especial não só dos poderes públicos, mas também da população”, observou.

Para ela, todos têm uma parcela de culpa. “O que mais afeta é a falta de educação e conscientização das pessoas que cobram muito do governo, mas não fazem a sua parte”, enfatizou. “A questão do plástico, com as sacolas, PET e todos os derivados, é uma coisa absurda porque ninguém está nem aí, e isso independe de classe social. Vejo carros importados e jogam garrafas plásticas pela janela”.

Ruth destacou ainda que toda a vida marinha sofre muito com esse tipo de polução. “Tem que se conscientizar. Não precisa nem ser catador de lixo como eu. Sou voluntária e é uma coisa que me faz bem, mas quem não quiser ser, que pelo menos não jogue, o que já é um grande trabalho que está fazendo para o planeta”, completou.

“Nosso mundo está sendo inundado por resíduos plásticos prejudiciais. Todos os anos, mais de 8 milhões de toneladas acabam nos oceanos. Se as tendências atuais continuarem, em 2050 nossos oceanos terão mais plástico do que peixes”. - António Guterres, secretário-geral da ONU.


Dados da ONU



  • 5 trilhões é o número de sacolas plásticas utilizadas no mundo por ano


  • 1 milhão de garrafas plásticas são compradas por minuto no mundo


  • 90% da água engarrafada contêm microplásticos


  • 50% do plástico consumido no mundo é descartável


  • 13 milhões de toneladas vão parar no mar a cada ano


  • 600 espécies marinhas são afetadas


  • 15% delas estão ameaçadas de extinção




Fonte: ONU Meio Ambiente.

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