domingo, 16 de maio de 2021

Saúde
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Quase 500 pessoas estão em filas para doações de órgãos na Paraíba

Lucilene Meireles / 27 de setembro de 2018
Foto: Reprodução
“Vi a morte de perto. Fiquei muito debilitada e tive que me recuperar para fazer a cirurgia. Foram três anos nessa situação. Tenho 1 metro e meio e cheguei a pesar 28 quilos. Os rins pararam e outros órgãos já estavam comprometidos. Cheguei a ficar sem andar de tão fraca, mas hoje comemoro a vitória graças à doação feita por um de meus irmãos”. O depoimento é da dona de casa Anny Kelry Lopes, que passou por um transplante de rim há 12 anos, e ilustra bem a importância do ato de doar. Esta quinta-feira (27) é Dia Nacional da Doação de Órgãos e ela celebra o sucesso da intervenção, mas principalmente a doação, que lhe devolveu a esperança de viver. Na Paraíba, quase 500 pacientes esperam por um órgão.

Anny contou que teve muita sorte porque seus irmãos fizeram o exame de compatibilidade e todos tinham condições de doar. O que mostrou ser mais compatível, fez a doação. “Quando recebi a notícia, foi maravilhoso. Ele foi um irmão de verdade, que se dispôs a doar. Agora somos como irmãos gêmeos. O melhor é que, sendo da família, as chances de rejeição são bem menores”, observou.

A alegria dela, porém, diminui ao lembrar que muitos pacientes que esperam por um órgão sofrem com a longa espera por conta da falta de doadores. “Costumo dizer que doar é uma prova de amor para com o próximo, seja parente, colega ou um desconhecido, como as famílias que perdem seus entes queridos. Deus coloca no coração e mostra que aquela pessoa que vai embora pode salvar muitas pessoas, dar alegria para tantas famílias. Doar não custa nada”.

A dona de casa tem que tomar medicação para evitar rejeição pelo resto da vida, mas para ela, isso é apenas um detalhe diante de todo o sofrimento que enfrentou.

“É muito importante que as pessoas conversem com os seus familiares sobre o desejo de ser doador. Pois, no momento da morte, este é um tema muito delicado para ser abordado”, disse a gestora da Central de Transplante, Gyanna Lys Montenegro.

Campanha. A 18ª Campanha Estadual para Doação de Órgãos e Tecidos, da Secretaria de Estado da Saúde (SES) foi aberta no último sábado, no auditório da PBTur, na praia de Tambaú, em João Pessoa.

Com o tema “Amar é... fazer a vida continuar! Doe órgãos”, a campanha acontece junto com a edição nacional do Setembro Verde, na qual o laço na cor verde é o símbolo da doação de órgãos e tecidos. O Dia Nacional é 27 de setembro, por isso, todo ano é realizada a Campanha Estadual junto com a Nacional, do Ministério da Saúde

A programação de hoje começa às 15h30, com um culto ecumênico no auditório do Centro Turístico de Tambaú. No local, estarão parentes de doadores e receptores de órgãos e tecidos, além de profissionais envolvidos no processo de doação e transplante. Amanhã, haverá capacitação para as comissões na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), para médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e estudantes da área de saúde.

Fila persiste no país

O número de transplantes realizados no Brasil em 2018 cresceu apenas 1,7% em relação ao mesmo período de 2017, conforme a Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), com base em dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), via Registro Brasileiro de Transplante (RBT). No final de junho, a lista de espera somava 32 mil pessoas.

Na comparação com anos anteriores (2017/2016) o aumento foi de 3,5%, números que já eram insuficientes para reduzir a fila de pacientes na espera. Mais de 15 mil pessoas passaram a aguardar por algum tipo de transplante no primeiro semestre desse ano, o que culminou em uma lista de espera com 32 mil pessoas ao final de junho deste ano.

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