segunda, 18 de janeiro de 2021

Saúde
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Primeira criança diagnosticada com Síndrome Congênita do Vírus Zika, mostra progressos

Fernanda Figueirêdo / 16 de abril de 2017
Foto: ANTÔNIO RONALDO
Contrariando todos os prognósticos, Catarina Maria é uma menina forte e sorridente, apesar de ter uma doença que, segundo os médicos, calcificaria seu cérebro e impediria qualquer desenvolvimento neuropsicomotor.

De acordo com a especialista em medicina fetal, Adriana Melo, o grande diferencial no desenvolvimento de Catarina, sem dúvida, é o trabalho fisioterapêutico realizado pela própria mãe da criança. Conceição conta que, desde o quarto dia de vida, Catarina passa por diversas sessões diárias de estímulos com o objetivo de alongar e fortalecer a musculatura do corpo, evitando ou minimizando os distúrbios do desenvolvimento. “Ou seja, o objetivo é possibilitar que minha filha possa desenvolver-se em todo o seu potencial”, explicou a fisioterapeuta.

Zika diminuiu. Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, houve uma diminuição significativa no número de casos confirmados da Síndrome Congênita do Zika Vírus. No mês passado, a Paraíba apresentava 943 casos suspeitos de microcefalia em 144 municípios, registrados desde agosto de 2015, quando a zika surgiu na Paraíba, encontrando uma população sem imunidade à doença. No mesmo período, 29 pessoas com microcefalia morreram no Estado, sendo 20 dos casos relacionados à zika.

Uma história de amor e luta

Catarina Maria Alcântara Oliveira Matias, hoje com 1 ano e dois meses de vida, foi uma criança amada e desejada desde os primeiros meses da gestação. Maria da Conceição Alcântara Oliveira Matias, 35 anos, e Mário Matias Maracajá Filho, 31 anos, descobriram que iriam ser pais em maio de 2015, depois de dois anos de tentativas.

Moradores de Juazeirinho, no Curimataú paraibano. Ela, fisioterapeuta, ele, professor de História, foram surpreendidos com uma notícia que lhes deixou sem chão: em setembro, com 24 semanas de gestação, uma ultrassom morfológica realizada pela médica Adriana Melo detectou alterações neurológicas no cérebro da menina.

“Começamos a chorar muito e eu não entendia por que comigo”, disse a mãe. Conceição explicou que, logo de início, fez exames de sangue e enviou líquido amniótico para ser pesquisado pelo laboratório da Fiocruz. Uma outra grávida, na mesma cidade, foi diagnosticada com o mesmo problema e também ajudou nas pesquisas para associação do problema ao Zika vírus. As duas viajaram para São Paulo e se submeteram a exames mais aprofundados. Os resultados confirmaram a presença do vírus no cérebro das crianças.

“A médica me explicou que não tinha nada mais a ser feito por Catarina. Eu me escondia para não ser questionada pela imprensa porque era muito doloroso. Eu entrava nas clínicas e ouvia as pessoas falarem dos casos, de usar repelente, de usar roupa comprida, era só isso o que o povo falava. Eu sabia que tinha ajudado outras mães, de alguma forma, mas elas não sabiam que eu era uma dessas gestantes relacionadas ao zika. Foram meses de desespero, eu atendia crianças com microcefalia em meu consultório e imaginava que minha filha não iria sentar, andar, nem sorrir”, disse Conceição.

Persistência. Mário afirmou que, no dia que recebeu a notícia da microcefalia da filha, passou mais de 40 horas ininterruptas na frente do computador pesquisando sobre a doença. “A gente precisava se preparar para o que viesse. Nós não iríamos desistir da nossa filha”, disse.

Um dia antes do parto de Conceição, o bebê da segunda grávida de Juazeirinho que havia sido diagnosticada com a doença, nasceu e morreu poucas horas depois. Contra todos os prognósticos médicos, Catarina sobreviveu e lutou.

“Com 40 semanas e três dias de gestação, no dia 5 de fevereiro de 2016 às 17h21, Catarina nasceu de parto normal com 49 cm e 2,840 kg. O perímetro cefálico da cabeça dela era de 30,5 cm de circunferência, quase três centímetros menor que o ideal, segundo os médicos, mas ela era linda e tinha saúde. Nós esquecemos de qualquer doença naquele momento. A maior alegria da minha vida foi ouvi-la chorar”, lembrou a mãe, completando que graças às estimulações precoces e diárias, Catarina conseguiu sentar na idade certa, se arrastar, comer e dormir normalmente, além de se comunicar e, principalmente, sorrir.

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