sábado, 16 de janeiro de 2021

Saúde
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Presídios da Paraíba são ‘bomba de tuberculose’

Bruna Vieira / 05 de março de 2017
Foto: Divulgação
A superlotação e assistência médica precária são apontadas pela Pastoral Carcerária como fatores que desencadeiam o contágio da tuberculose nos presídios. Foram mais de 100 casos registrados no ano passado. A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária afirmou que todos estão em tratamento e que a saúde é uma questão tratada com relevância, pois, prevenir doenças evita custos financeiros e de pessoal com internação.

O padre Xavier Paolillo, coordenador da Pastoral Carcerária da Paraíba contou que a saúde é deficitária no sistema prisional e que a tuberculose é apenas uma das reclamações dos detentos. “Infelizmente não temos dados concretos, nas visitas eles se queixam o tempo todo da falta de atendimento médico, de remédios, não há muita assistência. No PB1, em um setor chamado Alfa 10, os doentes mais graves ficam amontoados, acamados. Os próprios presos tomam conta uns dos outros, tem paraplégico e não consegue prisão domiciliar. Eles dizem que há vários casos de tuberculose, o Estado até que dá atenção especial nesses casos, fornecendo medicação para evitar o contágio”, relatou.

Outro problema comum, de acordo com o padre, são as infecções de pele. “A falta de água é constante, de até três dias. Eles não conseguem fazer a higiene pessoal, nem a higienização do alojamento, o que afeta totalmente a saúde. E durante as visitas, muitas pessoas estão submetidas ao contágio, inclusive crianças. Durante as visitas íntimas, ficam amontoados, o que facilita as doenças de pele. Algumas unidades até tem enfermeiro, mas, eles se queixam que quando tem que ser retirados é mais difícil. Muitas vezes necessitam, mas, são retirados da internação por falta de escolta. O efetivo de agentes é extremamente limitado em relação à demanda. Pela lei, quem deveria prestar assistência básica é a prefeitura, mas, já é precária até para quem está solto. Se o preso é levado ao PSF e tem prioridade de atendimento há uma rejeição da população. Outra demanda é a falta de psiquiatra para prescrever medicamento controlado”, revelou.

"Quase todos tem insalubridade, ventilação ruim e iluminação natural precária. O banho de sol dura muito pouco, no máximo meia hora e não é todo dia, o que favorece a proliferação de doenças. E em quase todos os alojamentos há fumo, cigarro",  declarou Padre Xavier Paolillo, coordenador da Pastoral Carcerária da Paraíba.

Defensoria constata problema

Todos os meses a Defensoria Pública do Estado realiza inspeções nos presídios. Em fevereiro, foi constatado presos com tuberculose na penitenciária Flósculo da Nóbrega (Roger). O promotor Otacílio Cordeiro do Ministério Público da Paraíba e a juíza de Execução Penal, Andréa Arcoverde participaram da visita. “Quando eles adoecem vão para o hospital. Se não me engano, em apenas um presídio tem médico. Chegamos às informações da tuberculose com os próprios presos. São várias unidades com tuberculose, não é só o Roger. Não há uma epidemia, mas, se não prevenir e controlar, o desmantelo é grande. a superlotação é um problema em todo o país e um fator que contribui para a disseminação de doenças”, afirmou o defensor Severino Lucena.

Infraestrutura ruim. Massilon Ramos, que coordenou a Pastoral Carcerária por muitos anos e acompanhou a rotina dos presidiários confirmou que a saúde é deficiente. “Muito precário, não tem medicamento, não tem atendimento médico para todos. A tuberculose é a única doença que é bem tratada, eles são separados, o medicamento chega. No Sílvio Porto é onde há mais casos. A própria infraestrutura permite o contágio da doença, não há ventilação, nem alimentação correta, na hora certa, isso enfraquece o sistema imunológico”, apontou.

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