terça, 12 de novembro de 2019
Saúde
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Prefeitura inaugura Centro para tratar microcefalia

Aline Martins / 28 de junho de 2019
Foto: Assuero Lima
Aos dois meses de gestação do primeiro filho, a dona de casa Lidiane Oliveira Pereira, 28 anos, teve zika, mas soube apenas que Pedro Lucas, hoje com 3 anos, tinha microcefalia após o seu nascimento. De início foi um choque, pois desconhecia que se tratava de uma malformação congênita em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Somente após explicações médicas é que aceitou o diagnóstico e iniciou a luta para minimizar os efeitos da microcefalia. Assim como ela, outras famílias recebem o apoio de alguns serviços de saúde espalhados pelo Estado para tratamento.

Nessa quinta-feira (27), ela pôde contar com mais um, que é o Centro de Referência Municipal para Pessoas com Deficiência em Microcefalia (Centro de Microcefalia), entregue pela Prefeitura de João Pessoa, localizado na Av. Júlia Freire, Tambauzinho. Desde que a onda de microcefalia ligada ao vírus zika surgiu, em 2015, foram confirmados 195 casos na Paraíba. No ano passado, 11 e este ano, um.

Toda semana a mãe do pequeno Pedro Lucas o leva aos serviços disponibilizados na Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência (Funad), no Instituto dos Cegos, no Centro de Referência da Pessoa com Deficiência e no Centro Universitário de João Pessoa. “Eu vi que ele mudou bastante com esses tratamentos. Antes ele nem sentava, hoje ele senta. Isso é muito bom. Ele faz natação, fisioterapia, vai para a ecoterapia. Ele mudou muito”, comentou.

Lidiane Oliveira Pereira contou ainda que não imaginava que ter tido Zika durante a gestação pudesse causar problema no filho. “Só tive algumas manchas pelo corpo. Fui ao médico e disseram que era virose. Só depois que ele nasceu é que soube da microcefalia”.

Sobre o novo serviço destinado às famílias e as crianças com microcefalia, o secretário de Desenvolvimento Social (Sedes) da Capital, Diego Tavares, informou que foram investidos, incluindo parte técnica, capacitação e estrutura física, mais de R$ 200 mil. O local passa a funcionar a partir da próxima segunda-feira, das 8h às 17h.

“O atendimento dessas crianças com microcefalia acontecia no Centro de Referência das Pessoas com Deficiência. Mas devido a grande demanda, o aumento das próprias pessoas procurando e a necessidade de focarmos no tratamento especial para a microcefalia, o prefeito teve a sensibilidade de oferecer esse Centro que permite que, não só as mães venham acompanhar o tratamento, mas também que elas deixem seus filhos e possam retornar para buscá-los no final da manhã ou no final da tarde, dando um pouco de descanso”, afirmou, destacando que o serviço conta com fisioterapeutas, assistentes sociais, psicólogos, cuidadores, enfermeiros, assistentes sociais, assistência hospitalar, terapeuta ocupacional e apoio familiar.

O prefeito da Capital, Luciano Cartaxo, revelou que o Centro de Microcefalia tem a capacidade para atender 60 crianças – 30 no período da manhã e 30 no turno da tarde. O público-alvo são crianças de até seis anos de idade que tem microcefalia.

Referência no estado. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), o Estado tem dois Centros Especializados em Reabilitação (CER) do tipo IV. Em João Pessoa, o serviço estadual de referência para a pessoa com deficiência é a Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência (Funad), que é habilitada como CER Tipo IV. No final do ano passado foi inaugurado o Reabilita (CER IV que fica em Sousa).

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