sábado, 20 de julho de 2019
Saúde
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Por falta de repasse, apenas 22% das pacientes com câncer de mama fazem cirurgia

Lucilene Meireles / 02 de outubro de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
Apenas 22 de cada 100 mulheres que retiraram as mamas, na Paraíba, em 2017, fizeram a cirurgia de reconstrução. Um dos motivos da não realização do procedimento é a falta de repasse do Sistema Único de Saúde (SUS) para alguns serviços como o Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW) e o Hospital Municipal Santa Isabel. A informação é da presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Paraíba (SBM), Jeane Tavares. Ela considera necessário chamar a atenção para o assunto, principalmente durante as ações do Outubro Rosa, que começaram ontem e prosseguem durante todo o mês.

“Temos a questão de problemas do SUS. Para reconstruir, a gente precisa da colocação da prótese e esse é um dos entraves que encontramos. No Hospital Napoleão Laureano, até pela questão de ser uma fundação, eles conseguem a aquisição da prótese. Mas, em outros serviços, como o Santa Isabel e o HU, a gente não tem a prótese liberada pelo SUS”, observou.

Na maioria das vezes, conforme acrescentou a mastologista, as pacientes não têm as mamas reconstruídas. “Apesar de ser lei, infelizmente, no nosso País nem sempre a lei é cumprida”, constatou.

Ela explicou que o HU recebe recursos federais, mas como o repasse é feito via SUS, a aquisição da prótese ainda não é contemplada em todos os serviços. “O Hospital Laureano é referência e consegue fazer isso pela questão da logística. O SUS entra com uma parte e a fundação entra com outra, mas nos outros serviços não temos conseguido fazer”, lamentou.

Número baixo na PB

“É um número muito baixo. Algumas realmente optam por não fazer, e outras vezes não têm indicação porque estão num estágio avançado da doença. Para que a gente tenha condições de fazer a reconstrução, é preciso que a doença seja diagnosticada num estágio que permita isso. Quando é doença metastásica, não é possível fazer a reconstrução. Infelizmente, a população do SUS, mais desinformada, paciente do interior, quando vem já está num estágio que não permite mais a reconstrução mamária. É muito triste”, avaliou a presidente da SBM/PB.

Do ponto de vista técnico, é até possível ser feito se estiver num estágio avançado da doença, mas tem pacientes com muitas co-morbidades, que já estão com metástase. Neste caso, de acordo com Jeane Tavares, não vale a pena, porque a reconstrução é uma cirurgia mais demorada, que requer um acompanhamento mais longo para poder começar a quimioterapia e a radioterapia. Ainda de acordo com ela, do ponto de vista oncológico, a prioridade é tratar a patologia oncológica. A questão da reconstrução, a parte estética fica em segundo plano. “Infelizmente, as pacientes do SUS que nos procuram estão com a doença em estágio avançado e isso acaba limitando muito a possibilidade reconstrução”, acrescentou.

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