domingo, 19 de maio de 2019
Saúde
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Pesquisa quer usar canabidiol no tratamento de autistas

Redação com assessoria / 06 de abril de 2019
Foto: Maj. Will Cox/Georgia Army National Guard/Fotos Públicas
Uma nova pesquisa desenvolvida na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) busca crianças com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) para testar a eficácia do canabidiol. No processo, serão selecionados 70 pacientes voluntários, que tenham entre dois anos e meio até 12 anos incompletos. O objetivo é fazer com que as crianças consigam melhorar a interação social, fiquem menos agitadas e agressivas.

A pesquisa, que vai durar seis meses, faz parte do estudo do doutorado do psiquiatra Estácio Amaro e da neuropsicóloga Wandersonia Medeiros, sob a supervisão dos professores Nelson Torro, Marine Rosa e Kate Albuquerque, do Departamento de Fisiologia e Patologia, do Centro de Ciências da Saúde.

De acordo com os pesquisadores, os pacientes passarão por avaliação neurológica e psiquiátrica e serão acompanhados por especialistas ao longo da pesquisa. Ainda segundo os pesquisadores, metade dos pacientes receberá o canabidiol e a outra metade um produto placebo.

O estudo vai utilizar material produzido pela Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace Esperança). O doutorando Estácio Amaro falou que o canabidiol vem trazendo revoluções em algumas doenças médicas. “Já existem vários estudos mostrando como a Cannabis ajuda na interação social das pessoas, que é uma das maiores características do autismo”, explicou o psiquiatra.

O estudo também pretende avaliar se há melhora na linguagem, através de uma equipe multidisciplinar, composta por psiquiatra infantil, neuropsicóloga e fonoaudióloga. A professora Kate Albuquerque, orientadora do estudo, explicou que esta será uma pesquisa clínica, a primeira aprovada pelo Conselho de Ética.

“As pesquisas se dividem em dois tipos. Existem as não clínicas que são as feitas com animais em laboratórios, e as clínicas, que são as feitas com seres humanos. As pesquisas clínicas se dividem em quatro fases, a nossa é a de fase dois”, acrescentou.

Assim, o estudo se dará com as crianças com autismo que não tiveram contato com Cannabis ou que tenha ficado um tempo de no mínimo dois meses isentas desse produto para começar do zero, para que o metabolismo atue. Será um ensaio clínico randomizado duplo cego.

“Elas serão divididas em dois grupos, um usará o placebo, que é a glicerina vegetal, enquanto o outro grupo usará o extrato da planta, ou seja, um terá contato com apenas a base sem o Cannabis enquanto o outro usará o óleo de Cannabis”, detalhou.

Os pesquisadores não saberão qual grupo recebeu o Cannabis e só após um ano, com avaliações mensais, poderão ter esta revelação.

“Faremos isso para que a gente não tenha aquele viés de dizer ‘eu sei que a criança está melhorando e eu sei que é por causa do óleo’. A gente não tem como saber disso”, falou a professora.

O estudo será realizado em João Pessoa e São Luiz, no Maranhão, a partir de setembro com duração de um ano.

As crianças poderão ser inscritas pelos pais através de um site a ser lançado na próxima semana e será feito um cadastro, que passará por uma análise.

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