terça, 17 de julho de 2018
Saúde
Compartilhar:

Pesquisa da UFPB mostra que 86% dos docentes em JP tem algum distúrbio na voz

Aline Martins / 17 de abril de 2018
Foto: RAFAEL PASSOS
Rouquidão por mais de 15 dias, tosse, dores persistentes, falhas e perda da voz no fim do dia são alguns indícios de alerta de que há algo de errado na saúde vocal. Uma pesquisa realizada no curso de Fonoaudiologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) mostrou que 19% dos indivíduos pesquisados em João Pessoa tinham algum distúrbio na voz e que o percentual mais agravante, 86%, estava com os professores. A última pesquisa feita pela UFPB sobre o assunto foi 2015. Assim como esses, cantores, operadores de telemarketing e locutores de varejos são algumas profissões mais afetadas, pois têm como instrumento de trabalho a voz, cujo Dia Mundial dfoi comemorado ontem.

Assim que começou a ministrar aulas, há 20 anos, o professor de História da Arte e Filosofia, Willis de Lima, 48 anos, sofre com os distúrbios da voz. “Primeiro foi uma rouquidão e depois as dores. Procurei um especialista para tratamento e descobri que tinha três calos nas cordas vocais. O diagnóstico era de que eu tinha que parar de dar aula, mas não tinha como parar. A minha voz é o meu instrumento de trabalho”, comentou. No entanto, para minimizar os problemas com a voz, o professor diminuiu a carga de trabalho, ou seja, evita trabalhar dois turnos seguidos. “Tem dias que é à tarde e em outros de manhã. Quando dou 12 aulas por dia percebo que fico muito rouco e com as cordas vocais doloridas”, frisou.

Ser professor é saber que a necessidade de cuidar da voz e não abusar dela como uma das formas de prevenção. De acordo com a professora Doutora do Departamento de Fonoaudiologia da UFPB, Anna Alice Almeida, que coordena a Semana da Voz, uma pesquisa realizada em 2015 revelou a situação da voz de pessoenses e de professores da rede municipal da Capital. Foram entrevistadas 400 pessoas de um público geral e mais 280 docentes a partir de uma amostra por distritos sanitários onde localizam as escolas. Explicou que o Brasil é pioneiro em ações de conscientização da saúde vocal. “A primeira campanha foi em 1999 e só em 2002 é que foi expandida para o resto do mundo”, comentou. A campanha visa conscientizar, prevenir os distúrbios da voz, promover a saúde vocal e detectar o câncer de laringe.

Até sexta-feira acontece a Semana da Voz em que serão realizadas triagens, atendimentos específicos da voz e oficinas na Clínica Escola de Fonoaudiologia, por demanda espontânea das 8h às 11h.

PB: 180 novos casos de câncer na laringe

Um dos exames que analisa a situação da laringe e da garganta é laringoscopia – tem a imagem da laringe. Essa é uma das formas de detectar o câncer de laringe – problema que afeta a laringe e que é decorre do excesso da voz. Há tratamento e cura se diagnosticado precocemente. Conforme estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) devem surgir 180 novos casos de câncer de laringe este ano na Paraíba, sendo a maior quantidade, 150 em homens. “90% de cura se o câncer de laringe for detectado precocemente”, revelou.

Outra forma de verificar outro problema na voz é o espectrograma do som, que faz uma fotografia da produção da voz. A professora Mariana Melo participou desse exame. Mas antes é necessário atentar para os sintomas e também seguir algumas dicas de prevenção orientadas por otorrinolaringologistas ou fonoaudiólogos.

Relacionadas